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Durante a Idade Média, a visão da Igreja era de que as mulheres eram instrumentos do diabo e seres inferiores, tendo os homens direito de lhes infligir castigos corporais. Talvez mais do que qualquer outra imagem, a “bruxa” incorporava as noções de corrupção do corpo feminino e o perigo das curandeiras. Os escritores de livros médicos populares, a viúva que carregava as capacidades de cirurgia ou farmácia, a mulher sábia e a parteira, todos envolvidos na cura da doença, adquiriram a sua sabedoria na sociedade circundante. Tudo conjugado levou ao decreto da Igreja da altura que estabelecia: “Se uma mulher tem a audácia de curar sem haver estudado, ela é feiticeira e deve morrer.”


HISTÓRIA

As mulheres foram responsáveis pela saúde em geral desde a idade média até ao século XVIII, até se iniciar o domínio masculino pela ciência hospitalar (estabelecimento onde se tratam os doentes). A exclusão da mulher das profissões médicas estava também relacionada com a sua desvantagem, à medida que a sociedade da Europa ocidental intensificava as suas estruturas patriarcais através da regulação urbana do trabalho. No entanto, a história da medicina não tem em conta as formas populares de cura, providenciadas por mulheres, como acompanhamento dos doentes, providência de enfermarias para os doentes crónicos, aconselhamento acerca da alimentação correcta e cirurgias menores e técnicas farmacêuticas. Historiadores têm que fazer mais do que reavivar a parte das mulheres. Não é investigando uma esfera separada, porém se a análise histórica não for feita em conjunto, serão mal-julgados por ignorarem a importância fundamental de mudanças díspares, regras separadamente atribuídas e mentalidades contruídas baseadas no género. Quando os historiadores abandonam a ideia de que perseguição às feiticeiras é equivalente à perseguição das mulheres, a análise da sedução, feitiçaria e magia torna-se um assunto muito mais complexo. Assim, pode considerar-se a questão de que mulheres perfeitamente capazes de prosseguir com o seu trabalho científico e cujo desejo era continuar a sua pesquisa com órgãos eram activamente dispensadoas. Por isso, ainda se considera este mundo à parte, considerado a esfera das mulheres.


VISÃO GERAL

Apesar das mulheres serem vistas como alegorias, a representação arquetípica do género remonta aos velhos mitos, em que a regeneração da terra ocorria devido à união sexual da deusa da terra e o seu filho sacrificial. A visão moderna do género, a análise do lugar social feminino e o que lhe é atribuído não se pode, na realidade, destacar desta sombra, o arquétipo profundo que reflecte a força masculina e a sexualidade, criatividade, trabalho e sofrimento femininos.

As várias mulheres que podem ser designadas relacionadas à saúde na Europa, aponta para uma actividade seriamente desvalorizada: tanto à frente de um mosteiro como em terras isoladas, o seu dinheiro e energia eram usados para estabelecer uma rede de hospitais personalizados de interesse público. Estes eram equivalentes ao cuidado com a saúde, sendo os outros sectores de cura as clínicas privadas, os barbeiros-cirurgiões e os boticários. Por isto, apenas um grupo de mulheres relacionadas com a medicina se manteve exclusivamente feminino: as parteiras. Estudiosos de ambos os sexos, em mosteiros cristãos, mantiveram vivos as habilidades diagnósticas e os seus conhecimentos. A principal actividade médica das mulheres era como parteira, porém havia também médicas hábeis, praticando aberta ou secretamente, geralmente esposas ou filhas de barbeiros-cirurgiões. Não se pode afirmar que as mulheres não eram qualificadas e frequentemente dominantes nas provisões de saúde na sociedade europeia, que considerava que cuidar dos doentes era um dos grandes trabalhos de misericórdia ao qual todos deviam aspirar. No entanto, as curandeiras eram marginalizadas nas organizações profissionais masculinas, principalmente devido às perseguições ocorridas no séculos XVII e XVI das praticantes de magia.

A regulação da prática médica passava pela necessidade de obter uma licença, discriminatória para as mulheres. Em Inglaterra, sem haver avaliação das suas capacidades, ser mulher era um impediemento para praticar cirurgia, ser boticária ou farmacêutica. Como exemplo, após 1642, as parteiras tinham de ser examinadas por 6 cirurgiões e 6 parteiras para obterem uma licença; no entanto, após 1662, foi implantada uma caução para se obter uma licença. Apesar dos esforços contínuos para serem incluídas, as suas petições foram diversas vezes negadas.

Apesar da educação médica, interligada às universidades, das quais as mulheres eram largamente excluídas, não ser uma opção para as mulheres, houve grande figuras femininas que se destacaram no Renascimento. Contudo, as mulheres não desistiram e a pioneira, isto é, a primeira médicas diplomada que estudou em escolas médicas, foi Elizabeth Blackwell, em 1849.


BIBLIOGRAFIA

Bynum, W. F. & Porter, R. (1993). Companion encyclopedia of the History of Medicine. Routledge, London and New York. Vol. 1-2.

http://www.unb.br/fm/hismed/arquivos/historia_da_mulher_na_medicina.pdf

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