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Thomas Willis

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Thomas Willis nasceu a 27 de Janeiro de 1621, em Inglaterra. Morreu no mesmo país, em 1975. Foi um importante médico e teórico que se interessou, especialmente, pela anatomia e fisiologia do sistema nervoso.

Vida

Thomas Willis era o mais velho dos três filhos de Rachel Howell e Thomas Willis. Vivia próximo de Oxford, o que fez com que tivesse tido a oportunidade de lá estudar, em Christ Church. Matriculou-se a 3 de Março de 1637 e trabalhou enquanto obtinha os graus académicos B.A. (a 19 de Junho de 1639) e M.A. (a 18 de Junho de 1642).

Mais tarde, mudou para medicina, adquirindo o grau B.Med. e a licença para exercer a 8 de Dezembro de 1646.

Sempre demonstrou interesse na ciência, primeiramente em matemática e, posteriormente, em química e anatomia. Assim, envolveu-se em grupos de cientistas altamente interessados, que reuniam semanalmente, entre eles Wilkins, Robert Boyle e Robert Hooke. Entre outras actividades, estes procediam a dissecações anatómicas, das quais se conservou um bloco de notas de Willis com numerosos apontamentos acerca do que observava. Durante este período, o médico formulou várias teorias e escreveu algumas obras.

A sua vida mudou substancialmente após a restauração de Carlos II em 1660. Wilkins e outros seus amigos mudaram-se para Londres, onde fundaram a Royal Society, enquanto Willis permaneceu em Oxford. Foi, também, em 1660 que o médico obteve o grau D.Med., a 30 de Outubro. Desde então começou a ser frequente dar palestras sobre fisiologia e medicina que atraiam uma grande audiência.

Em 1667, abandonou Oxford e estabeleceu-se em Londres, onde criou um grande e lucrativo negócio.

A sua vida pessoal foi marcada por uma tragédia, seis dos seus oito filhos morreram antes da adolescência. A sua mulher morreu em 1670, Willis morreu com pneumonia a 11 de Novembro de 1675.

Obra

O seu primeiro trabalho científico, De fermentatione, em 1656, foi seguido de outros na mesma década como De febrilus e Dissertatio espistolica de urinis. Em 1659, publica Diabritae duae medico-philosophicae.

Em De fermentatione, Thomas Willis defendeu que todos os corpos são compostos por cinco tipos de partículas: álcool, enxofre, sal, água e terra, por ordem decrescente de actividade. Segundo o próprio, qualquer corpo contendo uma mistura destes componentes é capaz de realizar a fermentação. O médico definiu fermentação como uma moção intestinal de partículas químicas do organismo que conduz à perfeição ou transformação desse mesmo organismo. Deste processo viriam o vinho e a cerveja. Os animais e as plantas cresciam por fermentação, assim como acontece quando morrem. Contudo, o mais importante no estudo de Willis era a fermentação que ocorria nos fluidos do corpo humano, tendo mesmo proposto uma teoria para a circulação. Esta defendia que o sangue e os alimentos nele dissolvidos, ao passarem no coração, sofriam uma fermentação pela qual se gerava calor e os alimentos se convertiam em nutrientes no sangue.

As teorias de Willis eram, no fundo, novas versões de ideias que já eram discutidas no Continente durante as décadas de 1640 e 1650. Contudo, a grande diferença encontra-se no facto de Willis basear as suas explicações nos conceitos atómicos e químicos, que Robert Boyle tinha tornado populares entre os seus amigos de Oxford.

Sendo Thomas Willis um médico activo, mas também um teórico, De febribus é um exemplo do que são a maioria dos seus trabalhos; o uso conjunto da anatomia, fisiologia e química para a explicação de manifestações clínicas. Para Willis, deste modo, a febre não era mais que o resultado da fermentação exotérmica no coração, causada pela introdução no sangue de materiais estranhos.

Em 1661, Willis e Richardi Lower, um seu assistente, interessaram-se pela parte neurológica do organismo, uma vez que consideravam insatisfatórios os estudos realizados até então nessa área. Assim, realizaram diversas dissecações do cérebro para clarificar algumas questões que julgavam importantes. Richardi Lower escreveu a Robert Boyle, em 1662, relatando que Willis tinha encontrado partes do cérebro que não estavam descritas e que pretendia elaborar um trabalho com a sua descrição e função. Desta série de trabalhos e pesquisas, resultou a obra Cerebri anatome, publicada em 1664, considerada a "fundação" da anatomia do sistema nervoso central e autónomo. Este texto foi utilizado até ao século XVIII e a sua leitura foi recomendada a neuroanatomistas até meados do século XIX.

Willis descreveu e classificou os pares de nervos cranianos e acreditava que era o cérebro o responsável pelas funções voluntárias, enquanto que o cerebelo comandava as funções involuntárias. Willis designava as funções involuntárias como "intercostais" e "vagas", as actuais divisões em simpático e parassimpático, respectivamente.

Durante o seu trabalho sobre o cérebro, Willis não esqueceu o seu interesse pela circulação, tendo mesmo provado a existência das anastomoses das artérias na base do cérebro, o que permite que, mesmo bloqueada uma artéria carótida ou vertebral, este continue a ser irrigado em toda a sua extensão.

A sua obra Cerebri anatome contém diversas conclusões sobre dissecações de humanos, mas também de peixes, pássaros e alguns outros mamíferos. Com base nestes estudos, Willis concluiu que a inteligência superior do Homem, como ele considerava, advinha do facto do seu cérebro ser mais complexo. Contudo, uma vez que os cerebelos não variavam muito de mamífero para mamífero, não nos distinguíamos muito dos outros animais no que dizia respeito às funções involuntárias. Por outro lado, Willis rejeitou a ideia de que a glândula pineal era o local da alma, dado que observou que esta era comum a vários seres, como peixes e pássaros.

Antes de deixar Oxford, em 1667, lançou Pathologiae cerebri et nervosi generis specimen, um estudo clínico.

Em 1670, publicou outro conjunto de textos sobre as suas ideias e estudos relativamente ao metabolismo cardíaco e à contracção muscular. Contudo, aceitou a discórdia de Richardi Lower expressa através da obra do próprio Tractatus de corde, em 1669, em que defende que o coração é meramente músculo e que não realiza fermentação.

Em 1672, Willis publicou De anima brutorum, um estudo clínico e anatómico. Defendeu que o Homem tem duas almas: a corporal, uma alma mortal que partilha com outros animais, e a racional, uma alma imortal que é única nos humanos. A corporal divide-se em duas partes: a apresentada no sangue, que é responsável pelas funções vitais, e a apresentada no sistema nervoso, que é responsável pelas acções e sensações.

O seu último trabalho, Pharmaceutice rationalis, foi publicado em 1674 e 1675, em duas partes. Nesta publicação, Willis descreveu a anatomia e a fisiologia dos orgãos abdominais e torácicos, evidenciando mecanismos fisiopatológicos e terapêuticos, com auxílio que casos clínicos.

Willis descobriu os vasos linfáticos superficiais dos pulmões, caracterizou a tuberculose, descreveu os primeiros sinais do enfisema. Descreveu, ainda, numerosos problemas cardíacos, como a insuficiência cardíaca. Foi o primeiro europeu a caracterizar o gosto doce da urina nos doentes com diabetes mellitus.


Bibliografia

Gillispie, C. (1970). Dictionary of Scientific Biography. Charles Scribner's sons, New York.


Ligações externas

http://www.willisfleming.org.uk/

http://galileo.rice.edu/Catalog/NewFiles/willis.html

http://www.whonamedit.com/doctor.cfm/336.html

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