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Theodor Ambrose Hupert Schwann (1810-1882), foi um importante fisiologista alemão do século XIX. Entre as suas contribuições para a ciência destaca-se a descoberta da Teoria Celular, que constituiu o ponto fulcral para a fundação da Histologia Moderna.
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Vida

Theodor Schwann nasceu a 7 de Dezembro de 1810 em Neuss, Alemanha, onde decorreu a sua infância. Segundo os seus professores e colegas, demonstrou desde cedo ser uma criança inteligente, cooperativa mas excessivamente tímida e com falta de auto-estima. A sua personalidade e desinteresse pelas banalidades sociais da época foram responsáveis pela sua centralização no estudo, vida familiar e religiosa. A crescente vocação religiosa, motivaram Schwann a abandonar a cidade natal em 1826, para ingressar num colégio Jesuíta – Jesuit College of the Three Crowns – situado na Colónia, Alemanha. Aqui, Schwann sofreu profundas influências religiosas especialmente de um professor, Wilhelm Smets, que lhe suscitou novos principios de fé, ao introduzir uma nova noção de Deus e Homem, e ao enfatisar a importância da elevação espiritual através do aperfeiçoamento individual. Porém Schwann demostrava igual paixão pelo pensamento lógico e racional, o que o conduziu para uma vertente de estudos médicos em deterimento da ideologia religiosa. Assim, em Outubro de 1829, Schwann abandonou o colégio de jesuítas para ingressar na Universidade de Bona, onde se matriculou no premedical curriculum. Aqui, Schwann assistiu a aulas de fisiologia do professor Johannes Muller e foi convidado a assisti-lo nas suas práticas laboratoriais. No Outono de 1831, Schwann mudou-se para Würzburg, Alemanha, onde assistiu durante 3 semestres a palestras sobre clínica. Em Abril de 1833 Schwann transitou para Berlim e sob orientação de Muller, preparou uma dissertação sobre a importância do ar para o desenvolvimento dos ovos de galinha, que lhe permitiu adquirir o grau M.D. (Doctor of Medicine) a 31 de Maio de 1834. Rapidamente passou a ser um dos assistentes de laboratório de Muller e dedicou todo o seu tempo e devoção à investigação científica. Apesar de permanecer católico, Schwann abandonou, especialmente após a morte de sua mãe em 1835, a corrente ideológica por uma tendência mecanicista que o guiaram no seu trabalho laboratorial com Muller, entre 1834 e 1839.

A carreira de Shcwann como cientista, apesar de brilhante, foi de curta duração tendo-se estendido entre 1834-1839, anos coincidentes com a sua permanência em Berlim. Após estes anos o cientista abdicou dos seus principios racionalistas para regressar à ideologia religiosa da infância. Esta mudança de atitude muito se deveu ao não reconhecimento e à satirização sobre as suas descobertas, por parte de seus colegas cientistas contemporâneos. Em 1839, Schwann tornou-se professor de anatomia na Universidade de Louvaina, Bélgica, onde permaneceu até 1848. Nesta data transitou para Lieja, Bélgica, para leccionar fisiologia, anatomia geral e embriologia, e foi onde permaneceu mesmo após a sua reforma no ensino. Theodor Schwann faleceu devido a um problema cardíaco, a 11 de Janeiro de 1882, em Colónia enquanto visitava seu irmão e irmã que aí viviam.

Obra

Fisiologia e Anatomia

Schwann tornou possível o advento da fisiologia experimental, estudando as caracteristicas fisiológicas de um organismo ou tecido, pela análise de propriedades físicas. As suas primeiras experiências laboratoriais datam 16 de Abril de 1835. Consistiu num dos trabalhos mais notórios do autor, e envolveu a medição do comprimento de um músculo contraído, pela acção de um estímulo aplicado em diferentes locais. Comparou estes resultados com a capacidade de contracção do mesmo músculo na ausência de estímulo. Através desta actividade introduziu a noção de balanço muscular e estabeleceu o primeiro diagrama onde relacionou tensão com comprimento muscular. Este passo foi muito importante, porque pela primeira vez, alguém mediu a ocorrência de uma força vital através de fenómenos físicos, e ainda exprimiu quantitativamente as leis que regiam a acção fisiológica.

Paralelamente a estas descobertas, Schwann realizou pesquisas em amostras extraídas do lúmen gástrico, para provar que existia outros agentes responsáveis na digestão para além do ácido hipoclorídrico. Em 1836, conseguiu isolar do suco gástrico, esse agente adicional na digestão, o qual denominou de pepsina.

Por volta de 1835, as observações de Lussac reforçadas pelas experiências de Nicolas Appert tornaram aceitável a noção de que o oxigénio era responsável pelos processos de fermentação e putrefacção. Estas observações estimularam o reaparecimento da teoria da geração espontânea e o regresso dos ideais de Needham, que afirmava que o calor (proveniente do aquecimento do ar) tinha o efeito de privar o ar de oxigénio, necessário para o "nascimento" dos denominados animaculus. Schwann não concordava com estes pressupostos e em 1836 demonstrou que o processo de fermentação alcoólica (em condições de anaerobiose) de uma solução açucarada, resultava do metabolismo de seres biológicos, as leveduras. Estas descobertas demonstraram, uma vez mais, as ideologias mecanicinistas cartesianas de Schwann, bem como a sua capacidade de inserir novos conceitos.

Teoria Celular

A demanda pela descoberta de uma estrutura principal e comum aos seres vivos era um velho debate entre a comunidade cientifica. No sec XVIII existia a ideia que a unidade básica dos seres vivos eram fibras provenientes do desenvolvimento de pequenos glóbulos. Erwin H. Ackerknecht denominou esta ideia de primeira teoria celular. Uns anos mais tarde surgiu a segunda teoria celular que extendia esta noção de glóbulos para um conjunto de partículas com núcleo. Nesta fase, começou a fazer-se referência a estes glóbulos como uma forma celular, porém ainda não existia o conceito de que os organismos eram constituídos exclusivamente por células, células modificadas e produtos celulares.

Em 1839, Schwann baseando-se nas pesquisas de Matthias Schleinden em relação às células vegetais, escreveu a sua obra mais emblemática - "Mikroskopische Untersuchungen über die Übereinstimmung in der Struktur und dem Wachstume der Tiere und Pflanzen" – onde formulou o que seria a terceira teoria celular. Schwann introduziu o príncipio da célula como unidade básica de qualquer organismo biológico, sendo vegetal ou animal. Descreveu a célula como uma estrutura composta por uma camada a envolver o núcleo, e demonstrou que os diferentes tecidos – epitélio, cartilagem, tecido ósseo, tecido nervoso ... – eram resultado da diferenciação celular. Justificou na sua obra que a formação celular tinha como base dois fenómenos, a atracção e combinação molecular e nas reacções químicas resultantes dessa combinação. A sua obra foi posteriormente, 1847, traduzida em inglês pela Sydenham Society, adquirindo o nome de "Microscopical Researches on the Similarity in the Structure and the Growth of Animals and Plants".


Referências Bibliográficas

  • Dicitonary of Scientific Biography; Charles Scriber's Sons; New York; 1981.
  • Cooper, G. M.; Hausman, R. E. (2007). "The Cell: A Mollecular Approach". 4ª ed.Washington, D.C.:ASM press.

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