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Sarampo é uma infecção viral, aguda, comum principalmente nas crianças


Etiologia e Epidemiologia

O Sarampo é uma doença de origem viral, mais especificamente um vírus da família Paramyxoviridae do género morbillivirus. É um vírus altamente infeccioso e que pode ser transmitido por secreções respiratórias como espirros ou tosse. Depois da transmissão, o vírus infecta e replica-se no sistema linfático, tracto urinário, vasos sanguíneos e sistema nervoso central do novo hospedeiro. Os seres humanos são os únicos hospedeiros naturais conhecidos deste vírus, sendo necessário existir sempre contágio de pessoa para pessoa. A infecção tem um período médio de incubação de 14 dias e a infecciosidade dura 2-4 dias antes de 2-5 dias após o início da erupção da doença. Em populações onde não há vacinação, o sarampo é uma doença predominante nas crianças, ocorrendo epidemias a cada 2 a 5 anos. Nalgumas áreas, a incidência da doença dá-se sobretudo em crianças com idade inferior a 2 anos. Não há evidências que o sarampo possa afectar mais o género masculino ou o feminino.


Manifestações Clínicas

Os sintomas de sarampo incluem quatro dias de febre, tosse, secrecção nasal e conjuntivite. A febre pode atingir até 40º Celsius. É possível encontrar manchas esbranquiçadas na mucosa da boca e da garganta, sendo certo o diagnóstico de sarampo. Muitas vezes não são vistos, mesmo em casos reais de sarampo, porque são transitórios e podem desaparecer dentro de um dia. A erupção cutânea, vermelha, característica do sarampo começa vários dias após a febre. Inicia-se na cabeça antes de propagar para o resto do corpo. A erupção antes de desaparecer muda de cor para castanho.

Complicações

As complicações relacionadas com sarampo são relativamente comuns e passam por diarreia, pneumonia e encefalopatia, úlcera corneana. São mais severas em adultos do que nas crianças. A taxa de mortalidade nos países desenvolvidos ronda as 3 pessoas por cada 1000 casos. No entanto em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento com muitos casos de subnutrição e poucos cuidados de saúde, a taxa de mortalidade sobe para os 28%.


História

Antiguidade

A origem do sarampo é desconhecida, não é mencionada nas obras de Hipócrates escritas no século IV A.C. Nos manuscritos da antiguidade esta doença é confundida com a varíola. Apesar da pouca informação existente sabe-se que foi a causa de muitas mortes no império Romano nos anos 165-80 e 251-66 D.C.. Na China, as duas epidemias com maior taxa de mortalidade ocorreram nos anos 161-162 e 310-312 D.C. O primeiro manuscrito que diferenciou sarampo de varíola data do ano 910 D.C. e foi escrito por Muhammad ibn Zakariya ar-Razi, físico conhecido como Rhazes. A sua obra chamava-se "Tratamento da Varíola e do Sarampo”. Rhazes considerou que o sarampo era uma patologia mais perigosa que a varíola. Por volta do ano 1000, Avicenna escreveu também sobre sarampo, introduzindo o termo rubéola para a doença.


Época Medieval

Durante este período o sarampo foi referido no termo em latim: morbilli, o diminutivo de morbus. Também nesta época, o sarampo foi chamado de rubéola, rossalia e rosagia.


Descobrimentos

Por ser uma doença devastadora para populações que nunca tenham contactado com o vírus, fez com que em 1529, dois terços da população nativa de Cuba que tinham anteriormente sobrevivido à varíola morressem. Dois anos mais tarde, esta doença levou á morte de metade da população das Honduras.


Século XVII

Thomas Sydenham, físico e epidemiologista da época estudou a epidemia em 1670 e 1674 e fez observações das características clínicas da doença e as suas complicações. Conseguiu ter alguma credibilidade nos seus trabalhos entitulados “Of Measles in the Year 1670” e “On the Measles”, sendo estes publicados no "Process Intregri" em 1692.


Século XVIII

A primeira demonstração clara que o sarampo era uma doença infecciosa foi atribuída a Francis Home (1758) e na tentativa de prevenir a doença e conferir imunidade colocou sangue de pessoas já infectadas com o vírus do sarampo debaixo da pele ou no nariz de pessoas susceptíveis de serem infectadas.


Século XIX

O mais famoso estudo epidemiológico de Sarampo foi conduzido por Peter Panum e foi descrito como “Observation Made During the Epidemic of Measles on the Faroe Islands in the Year 1846”. Panum confirmou a forma de transmissão pelas vias respiratórias, o período de incubação e a imunidade adquirida com o contacto prévio com o vírus.

Bibliografia

- Kiple, K. F. (1993). The Cambridge World History of Human Disease. Cambridge University Press, Cambridge

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