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Santiago Ramón y Cajal M.D. , Wellcome Images

Santiago Ramón y Cajal (Petilla de Aragón, 1 de Maio de 1852 - Madrid, 18 de Outubro de 1934) foi um médico espanhol que se distinguiu nas áreas de histologia e patologia. A sua investigação sobre a estrutura microscópica do sistema nervoso foi tão importante que lhe valeu o prémio Nobel da medicina em 1906 (partilhado com Camillo Golgi) e é considerado por muitos o maior neurocientista de todos os tempos. O seu interesse pela arte permitiu-lhe ainda documentar o seu trabalho com desenhos tão perfeitos e lúcidos que muitos deles são utilizados ainda hoje com propósitos didácticos.

Vida

Filho de Justo Ramón y Casasús e Antonia Cajal, Santiago Ramón y Cajal nasceu em Petilla de Aragon, uma aldeia pobre e isolada de Navarra (Espanha), a 1 de Maio de 1852.

O seu pai, um barbeiro-cirurgião que posteriormente se formou em medicina, insistiu que ele seguisse a mesma carreira, para desagrado e revolta de Ramón y Cajal que nutria interesse pela arte. Assim, os primeiros anos da sua vida académica foram marcados pela rebeldia contra o seu pai autoritário e desinteresse pela educação. Um exemplo elucidativo desta rebeldia foi o seu encarceramento com apenas 11 anos por ter destruído as portas da cidade com um canhão feito em casa. Antes de ingressar no curso de medicina, na Universidade de Saragoça, foi pintor, ginasta, sapateiro e barbeiro.

Após concluir a sua licenciatura, em 1873, juntou-se ao exército espanhol como médico militar e, no ano seguinte, foi em expedição para Cuba. Aí contraiu malária e tuberculose e em treze meses foi dispensado do exército e estava de volta a Espanha. Enquanto esteve doente, desenvolveu capacidades de fotógrafo que mais tarde se revelaram bastante proveitosas.

Em 1880, Ramón y Cajal casou-se com Silvería Fanañás García, de quem teve três filhos e quatro filhas. A sua dedicação extrema à neurohistologia levou a que a sua família vivesse com algumas dificuldades financeiras, nos primeiros anos da sua investigação, enquanto ele equipava o seu laboratório e financiava as suas publicações.

O interesse de Ramón y Cajal por uma carreira académica levou-o de volta à Universidade de Saragoça onde passou dois anos a estudar para um doutoramento em anatomia - a única cadeira do seu curso pela qual se interessava genuinamente e demonstrava bastante aptidão. Tornou-se um histologista e manuseador do microscópio bastante competente, aprendendo praticamente sem ajuda, e em 1883 foi convidado para leccionar a cadeira de anatomia em Valencia. Em 1887 passou a leccionar a cadeira de histologia em Barcelona e, em 1892, tornou-se professor de histologia e anatomopatologia na Universidade de Madrid, cadeira que leccionou até se reformar, em 1922.

Durante o curso da sua vida recebeu inúmeros prémios, doutoramentos honoris causa e distinções, tanto espanhóis como estrangeiros. Em 1894 foi convidado para fazer a palestra sobre ciências biológicas à Royal Society, da qual foi instituído membro estrangeiro em 1909. Em 1906 partilhou o prémio Nobel da medicina com Camillo Golgi.

Foi director do Museu de Saragoça, em 1879, e director do Instituto Nacional de Higiene, em 1899. Dada a sua revolta contra o atraso científico de Espanha e o desconhecimento estrangeiro da língua de Cervantes, Santiago Ramón y Cajal sentiu a necessidade criar uma escola de histologia que levasse o seu país para o palco científico e intelectual: o Laboratorio de Investigaciones Biológicas (mais tarde rebaptizado Instituto Ramón y Cajal). Nesta escola foram seus pupilos personalidades distintas como Pio del Río-Hortega, Fernando de Castro e Rafael Lorente de Nó.

Obra

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Ramón y Cajal no seu laboratório em Madrid

No decorrer de mais de meio século, desde 1880, Rámon y Cajal publicou inúmeros artigos científicos e cerca de 20 livros. Nos vinte anos em que se apresentou mais activo, 1886-1906, determinou as fundações da histologia do sistema nervoso como a conhecemos hoje. Esta área interessou-o e inspirou o seu trabalho, não só por ser uma das vertentes da sua cadeira de especialização (anatomia), como também por ter visto, na complexa estrutura do sistema nervoso, material de base para estudos que poderiam responder a questões de fisiologia e psicologia.

Ramón y Cajal reparou que não havia uma noção clara de algo tão fundamental como a maneira como um impulso sensorial é conduzido a uma fibra motora porque as técnicas contemporâneas eram, aparentemente, incapazes de definir os processos pelos quais a célula nervosa passava na substância cinzenta do sistema nervoso central e, consequentemente, a relação de uma célula nervosa com outra. Ele solucionou este problema adoptando uma técnica de coloração ainda bastante pouco conhecida de Golgi (com nitrato de prata e dicromato de potássio) e aplicando-a a secções nervosas embriónicas ao invés de adultas, como era vulgarmente praticado.

A maioria dos neurologistas deste tempo apoiavam a teoria reticular da interconexão nervosa, sendo os únicos opositores conhecidos His e Forel. Cajal estabeleceu que os axónios terminam na substância cinzenta do sistema nervoso de várias formas diferentes, mas sempre independentemente e nunca formando redes com outros terminais de axónios. Ele demonstrou também que, apesar destes terminais estarem em estreito contacto com as dendrites e corpos celulares de outras células nervosas, não havia contacto físico entre uma célula e outra. Assim, confirmou o que tinha sido sugerido por His e Forel: que o sistema nervoso era um conjunto de unidades diferenciáveis e definíveis. As implicações desta descoberta - a doutrina do neurónio, como ficou conhecida - em teorias da função nervosa foram, obviamente profundas. Uma vez que um axónio irá terminar num local específico, e não num retículo de neurónios, torna-se possível imaginar que existem percursos funcionais no sistema nervoso, perfeitamente individualizados. Por outro lado impôs-se a questão de como a "informação" era passada através dos tais "intervalos" anatómicos. Os estudos de Ramón y Cajal, maioritariamente sobre o cerebelo, medula espinhal, retina e mucosa olfactória, convenceram-no da veracidade do que ele chamava "a teoria da polarização dinâmica" que dizia que a transmissão do impulso nervoso era sempre feito das dendrites e corpos celulares para os axónios.

O sucesso de Cajal em delinear células nervosas até às suas mais pequenas terminações já lhe tinha permitido classificar os neurónios de acordo com a forma e direcção tomada por essas mesmas terminações. Em 1897-1900, tendo adoptado a coloração de azul de metileno de Ehrlich em adição à de Golgi, ele estendeu os seus estudos ao córtex cerebral humano, onde conseguiu demonstrar as arborizações terminais das fibras sensoriais aferentes. Descreveu e classificou então, novamente, os vários tipos de neurónios, de maneira a que se pudessem atribuir padrões estruturais específicos a diferentes áreas do córtex; assim foi-lhe possível aplicar o conceito de localização cerebral em termos histológicos fundamentados. As suas descrições do córtex são, ainda hoje, as de maior autoridade na matéria e estabeleceram a base para os trabalhos de muitos outros neurocientistas. Foi também dado amplo tributo ao valor dos seus trabalhos envolvendo o cerebelo.

Se o corpo celular da célula nervosa estava tão ou mais "interessado" na condução do impulso do que na sua nutrição, então conhecer a sua intrincada estrutura era obviamente da maior importância. As neurofibrilhas já tinham sido documentadas mas a sua coloração era difícil de fazer. Na sua autobiografia, Ramón y Cajal descreve como, em 1903, descobriu o método do nitrato de prata reduzido para evidenciar estas estruturas. Apesar de ele não o dizer, a sua experiência como fotógrafo poderá ter sido um factor subconsciente nesta descoberta.

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Capa do primeiro volume de Textura del sistema nervioso del Hombre y de los vertebrados, publicado em 1904

Em 1904 Ramón y Cajal publicou Textura del sistema nervioso del Hombre y de los vertebrados, no qual compilou os seus resultados dos últimos quinze anos de trabalho, que é considerado um dos clássicos da ciência médica. Este trabalho, mais do que qualquer outro, contém os fundamentos citológicos e histológicos da neurologia moderna. No entanto, o seu detalhe estrutural é visto, não como um fim, mas como um meio para chegar à resposta das questões: Qual o significado funcional deste padrão? Como funciona? Por que processos físico-químicos alcançou o seu presente estado através dos percursos da história filogenética e ontogenética?

Após a publicação do seu mais famoso livro, Ramón y Cajal focou a sua atenção na problemática da degeneração e regeneração de estruturas nervosas e reuniu as suas conclusões em Estudios sobre la degeneración y regeneración del sistema nervioso (1913-1914), que é até hoje a maior obra de referência sobre esta matéria.

Santiago Ramón y Cajal sentiu-se sempre isolado da corrente principal da ciência, tendo vivido em Espanha e publicado maioritariamente em espanhol. Este isolamento acentuou-se significativamente com a Primeira Guerra Mundial mas ele continuou sempre a publicar artigos científicos. O trabalho mais importante dos seus últimos anos foi a descoberta, em 1913, do método do ouro sublimado que aplicou à coloração da neuroglia, que tinha já sido descrita por Virchow, e que se pensava servir apenas de suporte aos restantes elementos do sistema nervoso. Este trabalho foi muito importante para o posterior estudo das patologias que envolvem tumores do sistema nervoso central.

Mesmo após a sua reforma formal, Ramón y Cajal permaneceu director do instituto que fundou com a ajuda do governo e continuou a trabalhar com o empenho e paciência que caracterizaram a sua vida adulta.

Principais Publicações

Santiago Ramón y Cajal publicou, ao longo da sua vida, cerca de 20 livros e 250 artigos científicos em espanhol, inglês, francês e alemão. Os de maior importância a nível científico foram:

  • Manual de histología normal y técnica micrográfica, 1889
  • Manual de Anatomía Patológica General, 1890
  • "Estructura del asta de Ammon y fascia dentada" em Anales de la Sociedad española de historia natural, 1893
  • Quatro artigos sobre o córtex límbico publicados em Trabajos del Laboratorio de investigaciones biológicas de la Universidad de Madrid, 1901-1902
  • Les nouvelles idées sur la fine anatomie des centres nerveux, 1894
  • Die Retina der Wirbelthiere, 1894
  • Textura del sistema nervioso del hombre y de los vertebrados, 1896-1904
  • Elementos de Histología, 1897

Ramón y Cajal publicou ainda alguns livros de carácter pessoal, que nos ajudam a compreender muito sobre a sua personalidade, como por exemplo:

  • Reglas y consejos sobre investigación scientífica, 1935
  • Recuerdos de mi vida, 1901-1907
  • Charlas de café; pensamientos, anécdotas y confidencias, 1920
  • El mundo visto a las ochenta años. Impressiones de un arteriosclerótico, 1934


Galeria de Desenhos

Bibliografia

Ligações Externas

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