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Raiva

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Nota Introdutória


Quase todos já ouvimos falar na RAIVA, contudo poucos sabem ao certo o que é. O objectivo deste artigo é justamente esse, dar a conhecer a doença e compreender a sua gravidade e evolução ao longo dos séculos.


A Doença


É uma encefalomielite viral ou inflamação do cérebro e dos cordões da medula espinhal que afecta humanos e mamíferos, especialmente carnívoros. É transmitida aos seres humanos através das mordeduras dos animais infectados (a saliva tem uma elevada concentração do vírus) e, na maioria dos casos é fatal. Este vírus é neurotrófico. Migra através dos nervos até ao cérebro onde se multiplica e causa vários damos, que se manifestam através da alteração do comportamento do ser infectado. Os pacientes com raiva apresentam um ar cansado, agitação comportamental, hipersensibilidade a pequenos estímulos, agressividade, convulsões e salivação excessiva. Normalmente têm muita sede, contudo sentem fortes espasmos nos músculos da garganta quando tentam beber, desenvolvendo hidrofobia. À fúria segue-se a fase de depressão e paralisia que culmina com a morte.

Existem alguns casos de pacientes que sobreviveram á raiva, no entanto regra geral mesmo os esforços mais intensivos são em vão e não existem medicamentos nem terapêutica específicos para a doença. A prevenção é a única solução. Felizmente as pessoas mordidas por roedores têm ao seu dispor vacinas de eficácia comprovada (se administradas antes da doença completar o seu período de incubação). A grande desvantagem deste tratamento é o elevado custo na produção e distribuição das vacinas. Isto representa um enorme obstáculo para os países do terceiro mundo que, por ironia do destino, são os mais afectados com esta doença.


Ao longo dos tempos…


A RAIVA é uma das mais antigas doenças da humanidade. Embora seja rara, as suas manifestações clínicas são surpreendentes e bastante características. Contudo, em caso de mordeduras não reportadas, pode ser confundida com tétano ou distúrbios neurológicos como a epilepsia.


Na Antiguidade

Na China, a primeira referência ortográfica à raiva data do século VI A.C.. Enquanto que na Índia as primeiras menções a esta doença aparecem no século I. No século IV, Aristóteles descreve a raiva em cães e outros animais domésticos em A História dos Animais.

Nos séculos I e II os escritores romanos que se dedicavam aos escritos médicos, de entre os quais destacamos Celsus, debruçaram-se extensivamente sobre a raiva e estabeleceram algumas ideias acerca da doença. Ideias estas que influenciaram a medicina na Europa bem como no Islão do século XVIII.


Período Medieval até ao fim do Século XVI

Nesta altura, a raiva continua a despertar grande interesse por parte daqueles que estavam de certo modo ligados à medicina. Autoridades Jesuítas escreveram várias páginas sobre a raiva no Talmud. Nos impérios Bizantino e Ocidental, vários escritores cristãos descreveram a raiva seguindo a teoria dos humores dos tempos Clássicos. Autoridades islâmicas medievais, tais como Rhazes no séc. X e Avicenna no séc. XI, desenvolveram estudos tendo por base a tradição galénica humoral, sendo fortemente influenciados pelas visões de Celsus. Avicenna deu um contributo importante acerca da raiva em cães, lobos, raposas e chacais.


Do Século XVIII até meados do Século XIX

No séc. XVII e no início do séc. XIX a literatura sobre a raiva tornou-se mais abundante. Começaram a ser feitas autópsias, embora sem resultados visíveis uma vez que a maioria das lesões são a nível microscópico, foram dados a conhecer mais casos da doença e as observações epidemiológicas foram publicadas. Em França sentiu-se verdadeiramente o crescimento da literatura, uma vez que a Société Royale de Médecine (fundada em 1776) nutria um enorme interesse sobre este problema. Por volta de 1750, muitos médicos acreditavam na espontaneidade do aparecimento da raiva, provavelmente porque alguns casos em que se pensava tratar de raiva eram na realidade tétano, que resultavam de feridas em vez de mordeduras de animais. Mas passadas algumas décadas tornou-se do conhecimento geral que a raiva era causada apenas por mordeduras de animais raivosos e não por qualquer mordedura.

  • John Hunter, em 1793 e 1799, propôs a inoculação de saliva.
  • O italiano Eusebio Valli aclamou que a virulência do vírus da raiva diminuía com o suco gástrico das rãs, contudo nunca publicou os seus resultados.
  • As primeiras experiências baseadas na inoculação de saliva foram creditadas ao alemão Georg Gottfried Zinke, e publicadas em 1804.
  • Em 1813, os investigadores franceses François Magendie and Gilbert Breschet infectaram cães e outros animais com saliva proveniente de um ser humano vítima de raiva. Tais resultados, repetidos e ampliados por outros, desacreditaram a visão de que a raiva era uma doença mental, produto do terror e imaginação.

No séc. XIX foram implementadas várias tentativas de terapêutica, desde drogas a choques eléctricos, passando por imersões no mar, contudo não tiveram sucesso. Normalmente administravam-se sedativos aos doentes para minimizar o seu sofrimento e começou a ser praticada a eutanásia.


Século XX

Em 1903, Adelchi Negri a desenvolver trabalhos microscópicos em Itália, descobriu marcas negras nas células nervosas dos cães raivosos, o que o levou a pensar que a doença era causada por protozoários. Apesar da sua conclusão não estar correcta, os corpos de Negri passaram a ser uma forma de diagnóstico útil. Estas observações histológicas rapidamente foram substituídas por testes recorrendo à inoculação de ratos com tecido infectado (1935) e métodos serológicos, no diagnóstico da raiva em cães e outros animais. Contudo a teoria dos protozoários apresentada por Negri despertou algum interesse, uma vez que abordava a etiologia da doença. E focou a procura do agente etiológico no conceito de “vírus filtrável”.

O vírus da raiva foi visto pela primeira vez em 1962; estudos utilizando o microscópio electrónico em 1965 mostraram que os corpos de Negri eram, nada mais nada menos que grumos compostos por vírus e anticorpos.



Bibliografia


Kiple, K. F. (1993). The Cambridge World History of Human Disease. Cambridge University Press, Cambridge.

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