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Quina

Desde os tempos remotos que a Humanidade tem sido atacada pela malária. Apesar disso, apenas no século XVII, com a descoberta da acção terapêutica da casca da quina, começou-se a acreditar num tratamento mais eficaz para esta doença. Desde há muito que as virtudes antipiréticas desta casca eram conhecidas dos naturais da América do Sul, em especial do Peru, de onde a cinchona é originária. Divulgadas as suas propriedades na Europa, as quinas passaram a encabeçar a lista das espécies que mais interesse despertavam, tanto a nível económico como a nível científico.

Cinchona pubescens fl

http://flora.huh.harvard.edu/FloraData/201/TaxonImage/Cinchona_pubescens_fl.jpg

A descoberta da quinina pelo Ocidente data do final do século XVI e início do século XVII, durante a conquista do Império Inca pelos espanhóis na região do Peru. Nessa época, os invasores espanhóis tomaram conhecimento de uma árvore usada pelos índios da América do Sul para curar febre. Foi em 1633 que um jesuíta - Padre Calancha - descreveu as propriedades de terapêuticas da planta:

" Uma árvore cresce, que eles chamam de árvore da febre, na região de Loxa, cuja casca tem cor de canela. Quando transformada em pó, juntando-se uma quantidade equivalente ao peso de duas moedas de prata, e oferecida ao paciente como bebida, ela cura febre e ... tem curado miraculosamente em Lima." In “Crónica de Santo Agostinho”

Os Jesuítas, no Peru, começaram então a utilizar a casca da árvore para prevenir e tratar a malária. Em 1645, o padre Bartolomeu Tafur levou algumas cascas para Roma, onde o seu uso espalhou-se entre os clérigos. Em 1654 a casca peruana foi introduzida na Inglaterra para o tratamento da malária e ficou comnhecida como “pó-dos-jesuítas” Conta a história que a descoberta da chinchona, deve-se à Condessa de Chinchon, esposa do Vice-rei do Perú que se encontrara doente e que fora curada pelo poder dessas tais ervas. No entanto esta afirmação não é consensual entre todos os historiadores. Porém, é certo que os Jesuítas da área de Lima já estavam familiarizados com seus usos desde 1630. No final do XVII século, a casca da cinchona estava em demanda mundial por curar malária e foram extraídas imensas quantidades do Peru e da Bolívia. Mas foi em 1820, que os químicos franceses Pierre Pelletier e Joseph Caventou conseguiram extrair a quinina da casca da cinchona, permitindo que a substância fosse concentrada para a produção do medicamento. Ao invés de registrar os direitos sobre a descoberta e cobrar por isso, Pelletier e Caventou publicaram todos os detalhes sobre o processo de extração para que qualquer empresa pudesse produzir o remédio.

No final do século XVIII, a má gestão dos recursos naturais associada a uma ambição desmedida quase colocou as cinchonas em vias de extinção. Cientes da vulnerabilidade criada por esta situação, os portugueses tentaram encontrar nas espécies brasileiras uma alternativa às cascas provenientes do Peru. Do Brasil eram remetidas amostras para o Reino para que fossem avaliadas as suas propriedades terapêuticas, nomeadamente a sua acção antipalúdica. Pretendia-se também encontrar a forma mais eficaz de administrar a casca da quina, bem como identificar e obter o princípio anti-pirético da dita casca. Tanto em Lisboa como em Coimbra procedia-se a ensaios clínicos e químicos, muitas vezes nas condições mais adversas. Os investigadores eram confrontados com uma certa escassez de recursos materiais e até de informação científica em virtude da situação política vivida em Portugal. Há registos da época que dão conta da destruição de documentos relativos a estes ensaios, em consequência das invasões francesas no início do século XIX. No entanto, os relatórios que sobreviveram a todas estas vicissitudes mostram o empenho com que os portugueses estudaram as tão preciosas cascas de quina. Foi no decurso destes estudos que o Dr. Bernardino António Gomes isolou o primeiro alcalóide conhecido das quinas: o cinchonino. Esta descoberta foi recebida com algum cepticismo na comunidade científica portuguesa. As teorias em relação ao princípio febrífugo das quinas em geral e ao cinchonino em particular, diferiam de autor para autor. É nos artigos publicados no Jornal de Coimbra e, posteriormente no Investigador Portuguez em Inglaterra que melhor se vivencia essa divergência de opiniões. Curiosamente, esta polémica prolongou-se, praticamente, até à descoberta da quinina por Pelletier e Caventou em 1820. Estes farmacêuticos não só confirmaram a validade do método usado por Gomes para obter a cinchonina, como também reconheceram o valioso contributo do médico português para o advento do chamado alcalóide nobre das quinas; ou seja, a quinina. Só mais tarde, já no século XX, o trabalho de Bernardino Gomes foi devidamente homenageado pelos portugueses. Reconhecida a acção terapêutica da quinina e, face à dificuldade em obter a tão valiosa matéria-prima, surgiu a ideia de se implementar a cultura das quinas nas possessões europeias. Assim, ainda durante a segunda metade do século XIX, vários países europeus, incluindo Portugal, investiram neste empreendimento.

A um período de relativo empenho e entusiasmo na difusão da cultura das quinas em território português seguiu-se uma época de desinteresse, acabando este assunto por cair no esquecimento. No início do século XIX, as populações de cinchonas selvagens estavam severamente dizimadas, conduzindo a uma competição entre holandeses e ingleses para o estabelecimento de plantações. Os holandeses tiveram sucesso e cultivaram Cinchona ledgeriana em Java, que se tornou o centro mundial de produção de quinina. Foi esta espécie da planta - Cinchona ledgeriana (de entre as 20 espécies que se conhecem) – que manifestou apresentar o mais alto teor de alcalóide e assegurou o monopólio mundial de quinina nas plantações holandesas de Java. Com a intensificação do uso do quinino, a venda da casca de cinchona passou a ser um negócio muito lucrativo. Por isso, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru proibiram a exportação de sementes e plantas, numa tentativa de impedir que outros países plantassem a árvore. Naquela época, a cinchona só existia na região dos Andes da América do Sul. Mas as sementes foram contrabandeadas para Java, na Holanda, região que já em 1930 produzia quase todo o quinino usado no mundo. Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, o exército alemão apoderou-se de toda a reserva de quinino da Europa ao invadir Amsterdão, na Holanda. Quando os japoneses invadiram a Indonésia em 1942, os Estados Unidos e os seus aliados ficaram quase sem fornecimentos de quinino. O risco de contágio das tropas em combate, acarretando em mortes de soldados, levou a investimentos para a obtenção de quinino de forma sintética, ou seja, produzida em laboratório. Isso foi conseguido em 1944 por Robert Woodward e William Doering.

A casca da quina passou a ser usada como medida profiláctica para a prevenção da malária. A Industria de bebidas aprovetou a oportunidade e passou a oferecer produtos contendo quina. Criaram-se assim o vinho quinado e a água tónica de quinino.


As partes usadas são o talo e a casca da raiz. Estas partes são colhidas após 6 anos, no período de Maio até Setembro, e secas para confecção de extractos líquidos, tabletes, tinturas ou pó. As cascas podem ser raspadas das plantas no local ou descascada de ramos podados. É uma erva amarga, adstringente, que abaixa a febre, relaxa espasmos, é anti-malárica (quinina), e reduz o batimento cardíaco (quinidina).

A erva é usada medicinalmente, interiormente para malária, neuralgia, espasmos musculares, fibrilação cardíaca; é um ingrediente de remédios proprietários para resfriados e gripes. O seu uso em excesso causa cinchonismo: enxaqueca, brotoeja, dor abdominal, surdez e cegueira e não deve ser dado às mulheres grávidas, excepto às que sofram de malária.

Bibliografia

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