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Poliomielite

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Poliovírus.jpg

Poliovírus


A poliomielite ( do grego poliós - πολιός ), também denominada paralisia infantil ou pólio, é uma doença viral infecciosa provocada pelo enterovírus poliovírus. A infecção pelo poliovírus causa a inflamação e degeneração dos neurónios motores levando à perda da capacidade motora. Porém os neurónios sensitivos não são afectados, não havendo assim perda da sensibilidade.

A origem da poliomielite é antiga, sendo já referenciada em manuscritos que remotam a 3000 anos atrás.


Transmissão

A poliomielite é extremamente infecciosa dado que a sua transmissão de pessoa para pessoa é bastante fácil de ocorrer. Verifica-se que a poliomielite é uma doença sazonal em locais com climas temperados, ou seja, o número de pessoas infectadas aumenta exponencialmente durante os meses de verão e outono. Por outro lado, em locais de clima tropical verifica-se uma menor incidência destas diferenças sazonais.

Após infecção do poliovírus, ocorre a presença de partículas virais tanto nas fezes como na saliva das pessoas afectadas. Regra geral, esta doença é transmitida via fecal-oral, ou seja, através da ingestão de comida ou água contaminada. Não obstante, em locais onde as condições sanitárias e higiénicas são boas, o principal veículo transmissor do poliovírus são as secreções nasofaríngeas A poliomielite é principalmente infecciosa nos dez dias anteriores e nos dez dias posteriores ao surgimento dos primeiros sintomas, sendo o período de incubação desta doença variável entre 5 e 36 dias. Existem ainda certos factores que aumentam o risco de infecção pelo vírus da poliomielite como a deficiência do sistema imunitário e a má nutrição. Também o facto de uma mulher se encontrar grávida aumenta a sua susceptibilidade para ser infectada pelo poliovírus.


Manifestações Clínicas

Existem principalmente duas formas clínicas da doença da poliomielite: a poliomielite paralítica e a poliomielite não-paralítica que corresponde a maioria dos casos já que, regra geral, o sistema imunitário humano consegue destruir o vírus antes da destruição dos neurónios motores e consequente paralisia.

A infecção pelo poliovírus é oral ocorrendo a invasão do tecido linfático da faringe com posterior inflamação das amígdalas. Posteriormente as partículas virais são ingeridas, conseguindo sobreviver ao ambiente extremamente ácido do estômago e indo invadir os enterócitos do intestino e aí multiplicando-se. As manifestações iniciais são parecidas com as de outras doenças virais. Podem ser semelhantes às infecções respiratórias (febre e dor de garganta) ou gastrointestinais (náuseas, vômitos e dor abdominal). Em seguida, o vírus dissemina-se pela corrente sanguínea tornando-se assim uma patologia sistémica capaz de infectar outros orgãos, nomeadamente o cérebro, o coração e o fígado. É a multiplicação do vírus nas células do sistema nervoso (encefalite) que pode ocasionar a destruição de neurónios motores resultando na paralisia dos músculos por eles inervados.


Sequelas provenientes de uma infecção de poliomielite.jpg

Sequelas provenientes de uma infecção de poliomielite

A infecção inicial verifica-se sempre da forma acima descrita, porém a evolução da doença origina a formação de quatro grupos:
  • Poliomielite assimptomática: 90% a 95% dos casos são assimptomáticos, ou seja, não se verifica a ocorrência de sintomas já que o sistema imunitário consegue restrinjir a infecção à faringe e ao intestino, sendo a resolução rápida e sem quaisquer complicações.
  • Poliomielite abortiva: ocorre em 5% dos casos, com febre, dores de cabeça, dores de garganta, mal estar e vómitos, mas sem complicações sérias.
  • Poliomielite não-paralítica com meningite asséptica: ocorre em 1 ou 2% dos casos. Neste caso particular da doença ocorre inflamação das meninges do cérebro originando assim fortes dores de cabeça e eventualmente espasmos musculares mas sem causando danos cerebrais significativos.
  • Poliomielite paralítica: 0,1% a 2% dos casos. Após alguns dias da ocorrência dos primeiros sintomas surge a paralisia devido a danos nos neurónios da medula espinal e do córtex motor do cérebro. O número de músculos afectados varia de doente para doente sendo que tanto pode afectar apenas um grupo de músculos como paralisiar todos os músculos do corpo. Porém, se o vírus afectar os músculos associados ao sistema respiratório ou o centro neuronal medular que controla a respiração subconsciente, a morte é provável por asfixia. As regiões corporais paralisadas conservam a sensibilidade e se o doente sobreviver alguns poderão recuperar alguma mobilidade nos músculos afectados, mas frequentemente a paralisia é irreversível. A mortalidade total de vítimas da poliomielite paralítica é de 15 a 30% para os adultos e 2 a 5% para crianças.


As pessoas afectadas por poliomielite podem por vezes padecer anos mais tarde do síndrome pós-poliomielite que irá levar a uma aceleração do processo degenerativo muscular que advém com a velhice, levando a uma rápida atrofia muscular com subsequente perda de mobilidade.


Tratamento

Antigo ventilador adequado para pacientes com poliomielite.jpg

Antigo ventilador


Actualmente não existe cura para a poliomielite. Porém existem vários tratamentos que visam diminuir os sintomas, aumentando a velocidade de recuperação e evitando também certas complicações que advêm da infecção pelo poliovírus. Entre esses tratamentos existe antibióticos, de modo a evitar infecções em músculos enfraquecidos pelo pólio, analgésicos para a atenuação das dores, fisioterapia e ainda a estruturação de uma dieta adequada e nutritiva. Em alguns casos é aconselhada a cirugia ortopédica de modo a corrigir certas deformações causadas pela doença. Certos pacientes têm ainda de transportar sempre consigo ventiladoes portáteis que os auxiliam na respiração.






Poliomielite na História

Placa egípcia representando uma vítima da poliomielite.jpg

Placa egípcia representando uma vítima da poliomielite

As primeiras evidências da ocorrência de casos de poliomielite remotam ao Antigo Egipto (1403 A.C). Ainda assim, esta só foi reconhecida como uma patologia distinta por Jakob Heine em 1840, tendo sido o vírus identificado e isolado somente em 1908 pelo cientista Karl Landsteiner.

Como consequência da epidemia de pólio que ocorreu durante o século XX e que paralisou e matou meio milhão de crianças e adultos, verificou-se um aumento significativo do esforço da comunidade científica mundial para a criação e desenvolvimento de uma vacina eficaz que pudesse pôr termo à epidemia. A vacina foi finalmente descoberta e desenvolvida por Jonas Salk em 1952 (via venosa) e por Albert Sabin em 1962 (via oral).

Cartaz a anunciar uma residência em quarentena devido à poliomielite.jpg

Cartaz anunciando uma residência em quarentena devida a infecção por poliomielite

Na verdade, o que ocorreu foi que até ao século XX o vírus da poliomielite permaneceu endémico, ou seja, restrito a uma área do globo, evidenciando somente a sua existência em casos isolados que pontualmente ocorriam.


Porém no século XX deixou de ser endémica e espalhou-se por todo o continente europeu e americano dando origem a uma epidemia à escala mundial. Dado o seu carácter infeccioso, a doença espalhou-se rapidamente causando o medo e o terror entre as populações e obrigando as autoridades a tomar certas precauções ao nível sanitário e alimentar. Verificou-se também a quarentena de centenas de pessoas quando afectadas pela doença, de modo a atenuar a propagação do vírus.





Incidência Mundial

Incidência Mundial da Poliomielite.jpg

Incidência Mundial da Poliomielite


Actualmente Europa, a Austrália, América do Norte e a América do Sul já se encontram livres desta doença. Apesar de erradicada na maior parte do globo , ainda existem certos focos activos desta doença, especialmente em locais com climas mais quentes e com menos condições de sanitárias e de higiene como é o caso de certos países africanos, como a Nigéria. Também se verifica que em países asiáticos como a Índia, o Afeganistão e o Paquistão ocorrem ainda vários casos de poliomielite por ano.

Actualmente os esforços levados a cabo pela Organização Mundial de Saúde (OMS) visam a erradicação global desta doença, tendo esta já sido reduzida de 350000 casos em 1988 para 1310 casos em 2007.



Bibliografia

  • Kiple, K. F. (1993). The Cambridge World History of Human Disease. Cambridge University Press, Cambridge
  • Bynum, W. F. & Porter, R. (1993). Companion encyclopedia of the History of Medicine. Routledge, London and New York. Vol. 1-2
  • Alves de Oliveira, Dr. Manuel (1984). Moderna Enciclopédia Universal. Círculo de Leitores, Lisboa. Vol. 15


Ligações Externas

World Health Organization

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