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A pleuresia foi uma doença bastante abordada pelos médicos do mundo ocidental desde a antiguidade, dizendo-se inclusive que nasceu com a medicina ocidental. A pleuresia, ou pleuritis, é uma doença que se localiza na membrana que recobre internamente as costelas. Apresenta-se a evolução da compreensão desta doença por parte dos médicos pela antiguidade, idade média, idade moderna até à actualidade.


Antiguidade

Hipócrates (séc. V a. C.) é dos primeiros que define e descreve os sintomas da pleuresia. Segundo este, pleurisis é uma doença que provoca “dor de lado”, febre, tremores, respiração acelerada, ortopneia (dificuldade em respirar deitado) e tosse com expectoração que, com o agravar da doença, apresenta sangue. O principal sintoma é de facto a dor de lado, que inclusive dá o nome a esta doença (Pleuron – lado, costela; -itis – doença).

Dois séculos mais tarde (séc III a. C.) surgiram em Alexandria novos conceitos de pleuritis, nomeadamente o de Herófilo, que dizia que a doença afectava os pulmões, em que a pleuritis resultava do aparecimento de febre numa peripneumonia; e Erasístrato, que defendia que não era o pulmão a ser afectado, mas sim a membrana hypezocota, que recobre internamente as costelas. Um novo sintoma é discrito nesta época: o aparecimento de dor no lado oposto ao afectado.

No início da era Cristã houve um seguimento do ponto de vista de Erasístrato. Os médicos começaram a preocupar-se com o tipo de dor que esta doença provoca. Começamos a deixar de falar de “dor de lado” para começar a usar “inflamação de lado”.


Idade Média

Durante a idade média foram surgindo novas classificações de variantes da pleuresia. Temos por exemplo a Vera pleurisis, que ocorre quando o sangue ou a bílis (ver teoria dos quatro humores) provoca inflamação da pleura, causando febre, tosse e dificuldades respiratórias; Non Vera pleurisis, que é a inflamação provocada por outro humor além do sangue e da bílis e que afecta também o mediastino, o diafragma e os músculos intercostais. O tratamento que era aplicado nesta época foi proposto por Mesué e consistia em medicamentos, uma esponja com água para baixar a febre, mas principalmente a sangria. A aplicação da sangria dividia opiniões, já que uns consideravam a técnica demasiado violenta.


Idade Moderna

Em termos de pleuresia, esta época é marcada por um médico famoso: Vesalius, considerado o pai da anatomia moderna. Vesalius descobre a “azygos vein”, isto é, a veia que irriga os costelas, e diz que este é o local ideal para aplicar a sangria. É também a Vesalius que devemos a alteração do nome da membrana que recobre internamente as costelas de hypezocota para pleura. Podemos concluir que evoluções em estudos anatómicos levaram à evolução da compreensão da pleuresia por parte dos médicos da época.

Século e meio mais tarde, temos a descrição da pleuresia por Baglivi, médico arménio que exerceu em Itália. Baglivi define esta doença como uma inflamação da membrana pleural que, além dos sintomas já conhecidos, provocava também um novo: hipertensão.

Já no século XVIII, temos relatos de um médico italiano, Morgagni, que propõe uma fusão entre a pleuresia, doença na pleura, e peripneumonia, doença nos pulmões, formando assim uma nova doença denominada por plueripneumonia. Morgagni definiu esta doença como uma inflamação dos pulmões que, quando associada a várias complicações como formação de líquido, alastra à membrana pleural.

Com o passar do tempo estas duas doenças foram seguindo caminhos distintos, e Laennec, médico inventor do estetoscópio, devolveu a identidade à pleuresia como doença que afecta a pleura. Laennec introduziu um novo sintoma a esta doença: um som obtido pelo estetoscópio semelhante ao som de uma cabra devido ao derrame de fluído na cavidade torácica. Laennec ainda fez uma distinção entre pleuritis e pleuresia: pleuritis correspondia à inflamação da membrana pleural, enquanto que pleuresia era a doença que essa inflamação provocava.

Actualidade

Raio x

Raio X de Pessoa com Pleuresia Tuberculosa

Actualmente a pleuresia é a inflamação das pleuras pulmonares (visceral e parietal) provocada por um vírus ou bactéria. Pode ser seca, quando a quantidade de líquido pleural não é alterado, ou líquida, quando há um aumento desse fluído. Os principais sintomas são as dores torácicas, tosse, respiração acelerada, entre outros. Podemos fazer o diagnóstico através de uma radiografia torácica.

Bibliografia

Wilson, A. On the History of Disease-concepts: The Case of Pleurisy. History of Science, vol. 38, p.271-319.

Jacquart, D. Theory, Everyday Practice, and Three Fifteenth-Century Physicians. Osiris, 2nd Series, Vol. 6, Renaissance Medical Learning: Evolution of a Tradition (1990). pp. 140-160.

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