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O século XIX foi caracterizado por grandes mudanças, pode-se afirmar que este estava assente numa dicotomia entre a prática médica do ponto de vista teórico – Anatomia clínica, e a Medicina Laboratorial, correspondendo respectivamente à primeira e segunda metade do século XIX. A Medicina Laboratorial encontrava-se apoiada numa crescente interacção entre ciências biológicas e não biológicas. As áreas como a fisiopatologia, etiologia, físico-química e biologias modernas sofreram um grande desenvolvimento, tendo sido protagonizadas por grandes nomes como o de Louis Pasteur (1822-1895), Koch (1843-1910) e Claude Bernard (1813-1878).

No período correspondente à primeira metade do século XIX observou-se uma crescente evolução ao nível das descobertas no campo científico e biomédico, assim como na expansão de hospitais e na forma organizacional dos mesmos. No entanto, esta evolução estava a afectar preferencialmente os países mais evoluídos da Europa, (Inglaterra, França, Alemanha) e os Estados Unidos da América.

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Na Inglaterra, houve um aumento significativo do número de hospitais, graças a empresários que desafiaram padrões tradicionais e contribuíram para que houvesse suporte financeiro. Começaram então a existir diferentes instituições hospitalares, gerais e especializadas. Em 1860 estavam estabelecidos em Londres, pelo menos, 66 hospitais especializados. Alguns dos melhores hospitais especializados, ao nível de conhecimentos foram estabelecidos nos primeiros dois terços do século XIX, podemos então ter como referências o Royal Hospital (1814) especialista em doenças do peito; o St´s Mark Hospital (1835) em doenças cólon-rectais; The Hospital for Sick Children (1852); The hospital for Diseases of Skin (1863); The National Hospital (1860) em doenças nervosas; o St Peter´s Hospital (1864) em doenças urológicas, entre outros. Estes hospitais eram encarados como opositores de hospitais de clínica geral por aceitarem casos que estes tinham negado. Para não serem ultrapassados, os hospitais de clínica geral começaram então a criar departamentos especializados. O médico coordenava nesta altura, a admissão de pacientes, os trabalhadores, a marcação de consultas e a politica hospitalar.

Apesar de existirem muitos hospitais especializados na Inglaterra a expansão deste tipo de hospitais também passou por Paris (1802), Berlim (1830), São Petersburgo (1834), Viena (1837) e nos Estados unidos da América (Massachusetts em 1824, Boston em 1832, Nova Iorque em 1836, na Filadélfia em 1855), tendo estes diferentes especializações.

Em Londres as intuições era sólidas, no entanto, nos Estados Unidos da América devido às grandes diferenças sociais existentes, houve necessidade de se estabelecer uma organização social diferente. Para que pudesse existir uma consolidação, alguns hospitais especializados dos Estados Unidos da América associaram-se a sociedades particulares alemãs, italianas e judias, criando-se fortes laços.

Na Alemanha e Áustria as universidades e hospitais tinham uma íntima ligação e cooperação. Mais tarde a Inglaterra criou também esse tipo de ligação.

O ensino trouxe os hospitais para a vanguarda da prática médica, consequentemente houve necessidade de evolução no âmbito da cirurgia. No início do século XIX algumas operações já eram realizadas nos hospitais.

Os hospitais de Paris tiveram uma grande ênfase ao nível cirúrgico, nos anos 40 do século XIX, resultante da entrada da anestesia na medicina.

A expansão não veio simplesmente atrás do desenvolvimento. De facto, a meio do século, tanto na Europa como na América assistia-se a uma enorme falta de confiança nos hospitais devido a infecções que pareciam ser endémicas e a um elevado número de mortes causadas por doenças provenientes das enfermarias cirúrgicas. Vários regimes foram surgindo para combater esta fase, passando pela limpeza e desinfecção das enfermarias, tal como a ventilação, tentado deste modo afastar a crença da infecção.

Ignaz Semmelweis (1818-1865) e Florence Nightingale (1820-1910) contribuíram com teorias para estas reformas. Muitos planos diferentes para a redução da mortalidade na cirurgia foram propostos antes de Joseph Lister (1827-1912). Ele apresentou o seu regime anti-séptico baseado na teoria do germe de Pasteur, argumentando que devido à presença de um germe específico que causava putrefacção nas feridas. Lister foi muito importante para a transformação hospitalar e cirúrgica, onde a assepsia, anti-sépticos e anestesia tornaram-se amplamente praticados no hospital. Com estas novas práticas a cirurgia passou a ocorrer com mais frequência e permitiu a resolução de situações de maior complexidade.

Os cirurgiões formados na Alemanha, foram lideres no desenvolvimento da cirurgia, os quais iniciaram operações mais delicadas, como a abertura do abdómen sob condições de assepsia.

Theodor Billroth (1829-1894), cirurgião alemão que se tornou mais tarde professor de Viena, foi pioneiro na cirurgia abdominal, usando anti-sépticos, e posteriormente métodos assépticos.

Richard Volkman (1850-1905), professor de cirurgia em Halle, Theodor Kocher (1841-1917), professor da clínica cirúrgica em Berna, Johann von Mickulicz-Radecki 81830-1889), professor de cirurgia em Breslau, Johann von Nussbaum (1829-1890), cirurgião em Munique prestaram grandes contributos para a expansão cirúrgica. Todos eles trabalharam em associação com grandes hospitais, e desempenhavam o papel de professores em muitas cadeiras de cirurgia nas mais importantes escolas de medicina.

Desde 1860, que os laboratórios de química se associaram a grandes investigações, já nos anos 80 e 90 do século XIX investigações bacteriológicas ligaram-se a laboratórios hospitalares.

Claud Bernard, um fisiologista de renome, foi considerado um dos fundadores da medicina experimental ou laboratorial, que veio assim destronar a medicina anátomo-clínica. Descobriu em 1851 o glicogénio e a sua produção pelo fígado e em 1865 publicou Introdução ao estudo da medicina experimental.

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Louis Pasteur, teve muita importância pois criou a bacteriologia patológica com o seu Memoire sur la fermentation lactique (1857), em 1864 descobriu a existência de micro - organismos, que provocavam doenças, criando as bases de uma nova teoria - teoria do germe; descobriu ainda em 1880 o estreptococo, em 1881 desenvolveu a vacina contra o carbúnculo, em 1885, alcançou o sucesso mais notável ao vacinar um jovem pastor, mordido por um cão raivoso, injectando-lhe extractos da medula espinhal de um cão portador da doença.

O alemão Koch ficou conhecido pela identificação do bacilo da tuberculose, isolou também o vibrião da cólera e definiu metodologias fundamentais para a investigação bacteriológica e epidemiológica.

Koch juntamente com o inglês R. Ross (1857 – 1932), um dos grandes impulsionadores da medicina e higiene tropicais.

Graças a Koch e ao seu trabalho, os laboratórios de bacteriologia tornaram-se parte integrante dos hospitais, sendo também mais tarde integrados laboratórios patológicos.

Até então o papel do médico era observar e examinar extensamente o doente, tendo de interrogá-lo, apalpá-lo e auscultá-lo, ponderando várias hipóteses para chegar a um diagnóstico. Vindo em certos casos a anatomia tanatológica apoiar este tipo de investigações. No entanto, este procedimento estava a mudar e começava a ser introduzido o laboratório, usando aparelhos que doseiam e numeram as alterações fisíco-quimicas. Um elevado número de elementos da classe médica passou não só a examinar apenas, mas também a enviar amostras para esses, o que foi determinante para a evolução da medicina.

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A descoberta do raio X, por Wihelm Roentgen em 1895 foi bastante importante, pois rapidamente começou a ser utilizado pelos médicos uma vez que permitia um diagnostico mais preciso.

Neste século, também foram efectuadas inúmeras descobertas ao nível da genética, mas só vieram a ter relevância no século XXI.

Com tanta inovação, não eram apenas os pacientes atraídos para o hospital como também pessoas que queriam participar como agentes activos nestas novas técnicas de investigação. Os hospitais foram então perdendo o seu estigma de caridade e tornaram-se mais atractivos para os pacientes. O papel do hospital era agora mais do que uma simples visita ao doutor ou farmacêutico.

A posição da enfermagem foi muito debatida, pois a imagem dos enfermeiros sofreu uma grande transformação. A antiga falta de instrução era agora substituída por um ensino e informação mais cuidada. Estas alterações levaram a classe média a procurar hospitais. Graças à afluência da classe média aos hospitais, estes criaram serviços especiais e quartos privados. Na Inglaterra alguns profissionais empreendedores aproveitaram o aumento da procura dos cuidados hospitalares para estabelecerem as suas próprias instituições.

No final do século XIX os hospitais tornavam-se um local de afirmação do poder médico, graças à sua aliança com a ciência, como também devido à expulsão daqueles que exerciam indevidamente a profissão. As práticas bárbaras da terapêutica médica, citando como exemplo a purga e a sangria, foram remetidas para o campo tradicional. A sociedade ocidental encontrava-se em euforia, com o início da aplicação do princípio da vacinação preventiva e da soroterapia curativa relativamente às doenças microbianas. Verificou-se então o aumento da generosidade por parte da sociedade para com os investigadores, ficando estes com um melhor estatuto graças ao prestígio da ciência.

Graças a grandes descobertas e à implementação laboratorial, a medicina pôde e pode evoluir.


   Bibliografia:

Bynum, W. F. & Porter, R. (1993). Companion encyclopedia of the History of Medicine. Routledge, London and New York. Vol. 2.

Bynum, W.F. (1994) Science and practice of medicine in the nineteenth century Cambridge University press, London

http://www.ensp.unl.pt/lgraca/historia2_hospital.html

http://www.ensp.unl.pt/lgraca/textos104.html

http://www.ff.ul.pt/paginas/jpsdias/Farmacia-e-Historia/node86.html

http://images.wellcome.ac.uk/

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11428286

http://pt.shvoong.com/medicine-and-health/comparative-medicine/1653315-medicina-s%C3%A9culo-19/

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