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Nahuas

Indígenas Náua em vestimentas festivas (contemporânea)

Martín de la Cruz - Médico indígena (Tepahtiani, médico de prestígio reconhecido, em idioma Náuatle), contemporâneo do século XVI e originário de Texcoco (ou Tezcoco), foi o autor do Libellus de Medicinalibus Indorum Herbis, um compendio ilustrado sobre prescrições e ervas medicinais do conhecimento Azteca.

Vida

Martín de la Cruz foi um azteca nobre, status que não era relacionado com a arte médica para os indígenas. Tinha origem Xochimilca, um dos povos que integra a etnia Náua (ou Nahua), assim como os Tepanecas e os Acolhuas, e recebeu o conhecimento de plantas medicinais dos seus anciães. Os povos de origem Náua tornaram-se os dominantes na região Bacia do México, e deram origem a algumas das civilizações mais importantes, como os Aztecas.

Tlatelolco

Colégio de Santa Cruz em Tlatelolco

Martín de la Cruz era o médico responsável pelas crianças indígenas que estudavam e viviam no Colégio da Santa Cruz de Tlatelolco, o primeiro colégio de aprendizado avançado nas Américas, construído por Franciscanos pela iniciativa do vice-Rei. Martín foi educado e pensa-se que esteve também relacionado com o ensino da medicina indígena no Colégio. Conseguiu a posição no colégio com a ajuda do vice-Rei D. Antonio de Mendoza (1º vice-Rei da Nova Espanha), com quem conviveu e possivelmente participou no tratamento de sua enfermidade.

Martín de la Cruz foi também referido como sendo o examinador dos médicos indígenas. Com a crença de que os médicos indígenas deviam cuidar dos índios, associado ao sistema que regulamentava a profissão médica, criou-se o "requerimento" de que os médicos indígenas deviam obter autorização para a prática da medicina. O requerimento era assinado pelo vice-Rei, uma vez que eram analisados e investigados os status e os métodos de cura dos requerentes, como Antón Hernández e outros e o próprio Martín (antes de ser destacado como examinador). Dessa forma eram livres para praticar medicina, no entanto havia a distinção clara e explícita entre os praticantes indígenas e espanhóis. Os médicos indígenas só poderiam tratar de doentes indígenas.

Obra

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Página do Libellus de Medicinallibus Indorum Herbis em latim

O Libellus de Medicinalibus Indorum Herbis - LM (Pequeno Livro das Ervas Medicinais dos Índios) foi originalmente escrito em língua Náuatle por Martín de la Cruz e posteriormente traduzido para o latim por Juan Badiano, outro nobre Azteca, entusiasta do latim e professor no Colégio de Santa Cruz. Muitas vezes referido erronea ou injustamente como o Códice Badiano, possuiu vários outros nomes ao longo da sua história, como o Códice Barberini (por ter feito parte da biblioteca do cardeal Francesco Barberini de antes de chegar ao Vaticano), Códice de la Cruz-Badiano e Manuscrito Badiano. O manuscrito elaborado foi um tributo a Francisco de Mendoza, Advogado do Colégio de Santa Cruz, e filho do vice-Rei D. Antonio Mendoza.

Foi o primeiro livro de plantas e prescrições medicinais escrito no Novo-Mundo, encomendado pelo frei franciscano Jacobo de Grado, o encarregado do Convento de Tlatelolco e do Colégio de Santa Cruz, que muito provavelmente trabalhou junto do frei Bernardino de Sahagún e assim ser um autores de muitos estudos da população mexicana.

LM

Uma página do LM que ilustra as plantas tlahçolteoçacatl, tlayapaloni, axocotl e chicomacatl, usas na formulação de um remédio para lęsum & male tractatum corpus, "corpo lesado e maltratado"

O LM possui 184 meticulosas e elaboradas figuras, pintadas a óleo, e também incorpora o simbolismo nativo de um (ou mais) artista(s) indígena(s).

O livro foi enviado para o rei D. Carlos V como um símbolo da inteligência dos povos indígenas e de forma a apelar para o apoio da corte ao Colégio, mas passou despercebido e foi armazenado na biblioteca real, imaculado, talvez pelo fato de as plantas e matérias-primas estarem nomeadas em Náuatle. Foi citado pela primeira vez no século XIX, sendo copiado poucas vezes por escrivãos até então, e transferido da Espanha para a biblioteca do Cardeal Barberini e posteriormente para a do Vaticano.

As conhecidas descrições de espécies vegetais elaboradas por Francisco Hernández possuem semelhanças notórias com o LM. Entretanto, além das diversas plantas medicinais que os Aztecas conheciam, a obra também retrata as ricas tradições de escrita da história local, colonial, botânica e natural, apoiada por ordens religiosas locais.

A primeira versão do livro, escrita em Nahuatle, está extinta. A versão traduzida para o latim, de 1552, foi devolvida ao Instituto Nacional de Antropologia e História do México pelo papa João Paulo II em 1990.

Post-mortem

O Instituto de Conhecimento Natural e Tradicional de Albuquerque criou o Prémio Martín de la Cruz em honra ao "curandeiro" Azteca (sic), o primeiro indígena do Novo Mundo a fornecer informações sobre o uso de plantas medicinais.

Bibliografia

Artigos

  • Canizares-Esguerra J. (2005). “Iberian Colonial Science”, in Isis, 96;65-66.

Livros

  • Cruz, M. de la; Gates, W. (1939). An Aztec Herbal: the Classic Codex of 1552. USA: Dover Publications, p. iii-xv.
  • Portilla, M. L.; Mixco, M. J. (2002). Bernardino de Sahagún, first anthropologist. Norman: University of Oklahoma Press, p. 123-125.
  • Torres, E.; Sawyer, T. L. (s. d.). Curandero: a Life in Mexican Folk Healing. Albuquerque: University of New Mexico Press, p. 46-49.
  • Aguilar-Moreno, M. (2007). Handbook to Life in the Aztec World. USA: Oxford University Press, p. 265-268.
  • Huber, B. R.; Sandstorm, A. H. (2001). Mesoamerican Healers. Austin: University of Texas Press, p. 47-51.
  • Saldaña, Juan José (2007). Science in Latin America. (S. l.) University of Texas Press, p. 32-34.

Ver também

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