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Luís da Câmara Pestana

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Luís da Câmara Pestana

Pestana, Luís da Câmara (N. Funchal, Madeira, 1863; Ob. Lisboa, Portugal,1883), Bacteriologia. Médico e Cientista português. Efectuou várias descobertas no campo de Bacteriologia.


Vida

Luís da Câmara Pestana nasceu no Funchal, a 28 de Outubro de 1863 (às trás horas da madrugada) na residência da família situada na baixa da cidade. Faleceu a 17 de Julho de 1883. Filho de Jacinto Augusto Pestana Júnior, antigo chefe de repartição da secretaria do governo civil do Distrito do Funchal e de Helena Ana da Câmara Pestana, descendente de uma ilustre família madeirense. Câmara Pestana era o segundo dos três filhos e no dia 21 de Dezembro de 1863 o seu baptismo realizou-se na Sé catedral do Funchal. Entre 1876 e 1882, frequentou o liceu Nacional do Funchal.


Obra

Foi reconhecido como sendo o profissional mais competente na sua área e como um cientista promissor, resolvendo a maior parte dos problemas que surgiam na sociedade, na vertente da infecciologia. Dos 5 membros propostos pelo Sousa Martins para integrar na Comissão onde se ia investigar o tratamento para a tuberculose, Câmara Pestana foi um deles. Foi pedido ao governo que Câmara Pestana, nomeado cirurgião do banco do Hospital de S. José, fosse enviado a Berlim, a fim de estudar a técnica terapêutica descoberta por Koch acerca do bacillos da tuberculose. O pedido foi atendido e Câmara Pestana é nomeado para estudar bacteriologia no estrangeiro. Durante o ano de 1891, em Paris, Câmara Pestana terá assistido às lições do professor Chantemesse e permanece na cidade (aparentemente à sua custa), para enriquecer a sua formação e dedica-se também ao estudo do tratamento da raiva pelo método pasteuriano. Durante a sua estadia em Paris, pode pôr em prática, no Laboratório de Patologia Experimental da Faculdade de Medicina de Paris, as experiências que levava em mente acerca da patogenia e tratamento do tétano, dirigido pelo professor Isidore Straus. Pensa-se que é aí que começam as suas investigações sobre o tétano e as suas toxinas e delas surge a comunicação intitulada por “De la diffusin du poison du tétanos dans lórganisme”, a qual foi apresentada à Sociedade de Biologia de Paris na sessão de 27 de Junho de 1891 pelo professor Straus, em nome de Câmara Pestana. A investigação sobre o tétano começada em Paris foi continuada em Lisboa no Laboratório da Escola Médica, onde Câmara Pestana deu passos significativos face às suas primeiras conclusões, o que foi comunicado à Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, na sessão de 4 de Junho de 1892. A possibilidade de Câmara Pestana ter reproduzido experiências como as de Kitasato, Sanchez Toledo e Veillen, Vaillard e Vincent deveu-se em grande parte ao auxílio prestado pelo russo Gamaleia, professor Chantemesse e ao professor Straus. Câmara Pestana já tinha a ideia de que o tratamento do tétano passaria por encontrar uma substância que quando actuasse no organismo fosse capaz de destruir ou neutralizar a toxina. Um dos biógrafos de Câmara Pestana (que acabou por sucedê-lo mais tarde na direcção do Instituto) considera que o trabalho de pesquisa mais original de Câmara Pestana foi a descoberta da antitoxina tetânica. A admissão de Câmara Pestana como sócio efectivo (em 1889) e a sua entrada, pouco mais de um mês após a sua comunicação sobre o tétano, para os órgãos da Sociedade das Ciências Médicas, revela o papel interventivo que a referida sociedade estava a ter no debate dos temas da saúde em Portugal. No início do Varão, a cidade de Lisboa foi invadida por uma endemia tífica que acreditava-se ter origem na água que servia para consumo público. Luís da Câmara Pestana foi então encarregado de proceder à análise bacteriológica das águas de Lisboa, e rapidamente começou os seus estudos auxiliado por Aníbal Bettencourt e também por Amor de Mello. Pestana e Bettencourt conseguiram então demonstrar a presença de Bacterium coli, declarando não terem encontrado o bacilo da febre tifóide. Entretanto, há anos que tanto a imprensa como o Governo se preocupavam com as despesas provocadas pelas deslocações a Paris dos indivíduos feridos por animais com raiva, que eram quase totalmente suportadas pelo Estado. Este facto, levou a que em 1892 fosse criado o Instituto Bacteriológico destinado a preparar e aplicar a vacina anti-rábica e a proceder às análises bacteriológicas necessárias. Cedo se percebe que a presença de Câmara Pestana na direcção do Instituto é indispensável, e ele é então nomeado director desse estabelecimento (situado provisoriamente numa das dependências do Hospital de S. José), ficando Bettencourt como médico auxiliar. Entre 1892 e 1893, Câmara Pestana associa o ensino à investigação passando a leccionar noções práticas de Microbiologia, na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, regida pelo professor José Thomaz de Sousa Martins. Ao mesmo tempo que exercia a sua função de docente, continuava a dedicar-se, juntamente com os seus colaboradores, ao tratamento preventivo da raiva humana, utilizando o método pasteuriano e seguindo as orientações do Instituto Pasteur. Prosseguindo com a divulgação da actividade do recém-criado Instituto Bacteriológico, Câmara Pestana, em colaboração com Aníbal Battencourt, reúne numa publicação interpretativa, no ano de 1894, as estatísticas do tratamento preventivo da raiva pelo método de Pasteur, publicadas mensalmente em 1893. O balanço desse primeiro ano de utilização da vacina preparada no Instituto pelo Câmara Pestana foi muito positivo quanto à qualidade da vacina, já que a mortalidade foi mínima. A actividade multifacetada de Câmara Pestana prossegue, apesar do intenso trabalho laboratorial. Em 27 de Junho de 1893, em sessão da Secção de Geografia Médica, Sociedade de Geografia de Lisboa, Câmara Pestana apresenta um programa de inquérito à patologia portuguesa, com aplicação à exploração científica dos Açores. Em 3 de Agosto de 1893, Pestana é nomeado para fazer parte do júri de concursos para internos, no Hospital de S. José. Também em 1893, Câmara Pestana inscreveu-se nas secções de Fisiologia e Higiene de um congresso Internacional em Roma. No final desse ano envolve-se numa actividade que para ele é essencial, a divulgação do conhecimento médico actualizado. Aqui associa-se a Alfredo da Costa, Professor da Escola Médico-Cirúrgica, Mello Viana, oftalmologista, Avelino Monteiro, médico dos Hospitais e Augusto Vasconcellos, cirurgião dos Hospitais para lançar em Janeiro de 1894 a Revista de Medicina e Cirurgia. Em Fevereiro de 1894, Câmara Pestana publica na Revista de Medicina e Cirurgia um artigo sobre os agentes causais da febre tifóide. A difteria consiste numa doença que ataca sobretudo as crianças, tornando-se muitas vezes mortal. Assim em 1894, surge, no Instituto Pasteur de Paris, um novo tratamento para a difteria que consistia na aplicação de um soro anti-diftérico obtido em animais por inoculação da toxina diftérica atenuada. Esta nova terapêutica despertou a atenção dos investigadores do Instituto Bacteriológico que logo começaram a trabalhar no sentido de produzirem igualmente o soro anti-diftérico. Em Abril de 1894, surge em Lisboa uma epidemia de doença febril, acompanhada de diarreia. Fica a cargo de Câmara Pestana o tratamento desses doentes e a respectiva investigação bacteriológica. O aumento crescente de casos e a necessidade do respectivo diagnóstico levou mesmo a que, por ofício do Ministério do Reino de 30 de Abril, se determinasse que Pestana deveria ocupar-se exclusivamente dessa epidemia. Já em Abril de 1895 nas comunicações feitas sobre o tratamento da difteria com o soro, descreve como se iniciaram os trabalhos, as dificuldades que enfrentou e ainda relata o êxito que teve quando aplicou o soro, que logo foi requisitado por muitas localidades do continente e ilhas com bons resultados. Embora a Rainha Dª Amélia fizesse todos os esforços para que houvesse condições para o tratamento da difteria, a assistência médica aos doentes diftéricos era precária, portanto é fácil compreender que na altura a possibilidade a cura da difteria entusiasmava muito a população. Câmara Pestana apresenta tese sobre soroterapia progredindo na carreira de docente. A 1 de Janeiro de 1899, Câmara Pestana publica em A Medicina Comtemporanea um interessante artigo de balanço sobre “Os progressos da medicina em 1898 na Bacteriologia” onde ficou bem patente que Pestana era um cientista que se mantinha a par de tudo o que acontecia em todo o mundo na sua área de actividade. No início de Julho de 1899, Ricardo Jorge, médico municipal da cidade do Porto é alertado para “um foco epidémico”. O médico faz o diagnóstico da peste que é posteriormente confirmado por Câmara Pestana, que se apressa a preparar a vacina contra a peste. Em busca de material que lhe permitisse melhorar a preparação da vacina antipestosa Pestana voltou ao Porto no início de Outubro de 1899. Foi durante os trabalhos contraiu a peste, tendo, sem saber que estava contaminado partido para Lisboa. Quando a 9 de Novembro, Câmara Pestana e os seus colaboradores regressam a Lisboa, já com material abundante para estudos, irrompe, intensa e brutalmente a peste em Câmara Pestana, que foi encaminhado ao Hospital da Rainha D. Amélia, em Arroios, onde acabou por falecer. As circunstâncias trágicas que determinaram a sua prematura morte, ecoaram por todo o país, causaram emoção pública, sendo objecto de grande cobertura pela imprensa e deram origem a múltiplas homenagens. Entre as homenagens prestadas à memória do ilustre médico, inclui-se ter sido dado o seu nome ao Instituto de Bacteriologia de Lisboa, passando a designar-se de Real Instituto Bacteriológico Câmara Pestana, hoje conhecido por Instituto Bacteriológico de Câmara Pestana.

Bibliografia

BORGES,J.C.,CUNHA,M.,PRAZERES,M.D.,OLIVEIRA,R.,(2009),Luís Câmara Pestana: Uma Vida Curta, Uma Obra Enorme,s.l.

(1940),Congresso do Mundo Português,s.l.,vol.12º.

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