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Hélène Metzger

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Hélène Metzger foi uma importante historiadora e filósofa da ciência, de nacionalidade francesa, cuja influência dos seus trabalhos se fazem sentir ainda hoje, em vários cientistas e historiadores.


Filha de Eugénie Emilie Adler e Paul Moïse Bruhl, Hélène Emilie Bruhl (Hélène Metzger) nasceu em Chatou, perto de Paris (França), a 26 de Agosto de 1889. A sua família pertencia à classe média superior e era judaica. O seu avô paterno, David Bruhl(1823-1901), ainda em vida, emigrou para os E.U.A. onde fez inovações tecnológicas que fizeram dele um homem rico. Quando voltou a França comprou uma grande propriedade, em Chatou, onde viveu com os seus dois filhos: Paul - pai de Hélène - e Alice Louise. Em 1882, a tia de Hélène casou com Lucien Lévy, que posteriormente se chamou Lucien Lévy-Bruhl (Paris, 1857-1939). Este famoso filósofo e antropólogo francês teve grande influência sobre o pensamento da sua sobrinha. Hélène tinha apenas dois anos quando a sua mãe morreu durante o parto da sua segunda filha Louise. Paul Bruhl - joalheiro rico - voltou a casar agora com Marguerite Casevitz, dando a Hélène três meio-irmãos, entre eles, Adrien, que veio a tornar-se um célebre erudito. Hélène cresceu infeliz, com baixa auto-estima, muito introvertida, honesta e foi sempre uma criança independente, características que vieram a influenciar a sua carreira profissional e científica.


Na sua época, as mulheres tinham ainda um papel muito apagado perante a sociedade e, como consequência disto, as raparigas, no geral, não frequentavam o liceu e mais raras eram as entradas na universidade. Mesmo com esta condicionante, Héléne Metzger conseguiu obter o brevet supérieur, o qual lhe permitiu um estudo universitário de três anos, mas não conseguiu o baccalauréat, que era indispensável para frequentar a universidade por completo. Ela estudou cristalografia com Frédéric Walerant no laboratório de Sorbonne. Em Maio de 1912 conseguiu o Diplôme d'Études Supérieures com o trabalho Étude cristallographique du chorate de lithium, o que, contudo, não permitiu que ela continuasse os estudos para receber um Doctorat d'État, condição necessária para se tornar professora universitária.


A 10 de Maio de 1913 Hélène casou com Paul Metzger(1881-1914), um professor de História e Geografia em Lyon. Em Setembro de 1914, numa primeiras batalhas da I Guerra Mundial, as coisas não correram da melhor maneira e, infelizmente para Hélène, o marido foi morto. Viúva aos 25 anos e com filhos, perpetuou o luto até ao resto da vida e, dai em diante dedicou-se inteiramente à ciência, investigando e melhorando os seus trabalhos em cristalografia. Muito curiosa e com uma mente de génio filosófico, ela interessou-se por uma perspectiva histórica da ciência.


As competências de Hélène Metzger como historiadora da ciência começaram a tornar-se evidentes, ainda durante a guerra quando, em 1918, ela escreveu um livro para a sua tese de doutoramento sobre La genèse de la sience des cristaux que foi defender a Paris. Depois de algumas dificuldades, ela conseguiu que a tese fosse aceite(uma Doctorat d'Université). Nesse trabalho ela expôs como é que, lentamente, a cristalografia se foi diferenciando da minerologia, física e química, até que no fim do século XVIII a cristalografia ganhou estatuto de ciência independente. Posteriormente, ela começou a frequentar cursos de filosofia na Sorbonne.


Convicta de que as evoluções cientificas são consequência de correntes anteriores, ela usou a química como um exemplo e desenvolveu um plano para guiar a sua investigação desde o começo do século XVII até Lavoisier. Publicou então o Les doutrines chimiques en France, du début du XVIIe à la fin du XVIIIe siècle. A primeira parte apareceu em 1923, e em 1924, ganhou o prémio Prix Binoux of the Académie of Sciences.


Hélène Metzger escreveu, em 1926, um pequeno volume que apenas foi publicado em 1930 para a série História do Mundo(ed. por Eugène Cavaignac ), La chimie, no qual ela apresentou uma simples(popular) visão sobre a história da química.


Newton, Stahl, Boerhaave et la doutrine chimique, publicado em 1930, considera-se como a segunda parte do projecto que ela ia desenvolvendo. Secções daquela que viera a ser a terceira parte encontravam-se em leituras entregues, em 1932-1933, ao Instituto da História das Ciências da Universidade de Paris; foram publicadas em 1935 com o titulo de La pilosophie de la matière chez Lavoisier.


Após uma reflexão filosófica e preocupada com problemas epistemológicos, Héléne elaborou um artigo científico para um concurso patrocinado pela Academia das Ciências Morais e Políticas, o qual ganhou o prémio Prix Bordin em filosofia no ano de 1925, o qual foi publicado em 1926, com o titulo de Les concepts scientifiques. Este estudo envolveu, não só a lógica das coisas, mas também componentes da psicologia, retirando exemplos da história da ciência para mostrar como os conceitos se adquirem, se transformam e como podem ser classificados.


A discípula de Èmile Meyerson e Lucien Lévy-Bruhl, Hélene Metzger não estava satisfeita com uma posição positivista. Ela seguiu Meyerson na procura de bases filosóficas da ciência, e também Levy-Bruhl, para alargar as suas investigações quanto aos aspectos não racionais do pensamento, os quais prevalecem na civilização e na mente primitiva. Foi a actividade do intelecto humano que ela quis desvendar, seguindo muitos argumentos científicos e integrando-os com a filosofia e psicologia. Ela interessava-se bastante em “falsas ideias” assim como em “possíveis verdades”. Para ela ideias religiosas, metafísicas e cientificas foram como que unidas durante um período histórico, e ela acreditava que um grupo não poderia ser estudado separadamente dos outros. Se nos dias de hoje, esse ponto de vista ainda é aceite, deve-se ao facto de ela ter ajudado a criá-lo.


Julga-se que o exemplo mais aproximado das ideias de Hélène, está presente na quinta secção dos seus trabalhos, que se encontra na École Pratique des Hautes Études, Atraction universelle et religion naturelle chez quelques commentateurs anglais de Newton, editado em 1938. Encorajada por Léon Brunschvicg, ela procurou adoptar um estudo sintético sobre o desenvolvimento cientifico e o pensamento filosófico.

Em 1940, havia começado a escrever Lumière et chimique doutrina de Newton à Fresnel. Infelizmente esse projecto nunca foi levado a cabo. Tal como muitos outros judeus franceses, ela confiava cegamente no Estado francês e, depois de ter começado a ocupação de Paris durante a guerra, ai permaneu até ao final de 1941. Posteriormente, foi para Lyon, onde esteve cerca de dois anos, e não abdicou de se afirmar judia. Foi trabalhar para Bureau d’Études juives (Instituto de Estudos judeu), onde um grupo de pessoas, professores, advogados, altos funcionários estatais, os editores...que haviam sido demitidos, se reuniam semanalmente, para estudar o Judaísmo. A maioria dessas pessoas pouco sabia sobre as suas raízes judaicas, e agora reuniam-se com objectivo de aprender algo mais sobre a sua história e tentar entender o porquê da guerra. Este foi um acto heróico de resistência espiritual: "no incomodado, dramático e trágico período em que vivemos", escreveu a George Sarton em 1942, "esforço é a única coisa que pode dar-nos estabilidade física e moral". Na companhia deste grupo, Metzger escreveu um estudo sobre "a metafísica das fundações monoteístas".


Hélène Metzger foi detida em 8 de fevereiro de 1944, na pensão em que se encontrava, em Lyon, na 28 Rue Vaubecour. Ela foi transferida para o campo de Drancy no dia 20 de fevereiro. Mais tarde, a 7 e Março, deixou Drancy e foi levada para Auschwitz. Dos 1501 "Arbeitsjuden" levadas apenas 20 pessoas sobreviveram; Metzger não estava entre eles. É impossível provar com exactidão a data e as circunstâncias da sua morte.


Parte do trabalho que ela desenvolveu durante os 2-3 últimos anos de vida, na companhia de outros judeus em Lyon, apareceu em 1947 na Revue philosophique. Quando findou a Guerra, foi publicado em 1954 um volume preparado pelo seu irmão, Adrien Bruhl: La science l’appel de la religion et la volanté humaine , no qual ficaram reunidos os fragmentos desse trabalho que havia ficado para trás. Ela participou nos quatro primeiros congressos internacionais sobre a história da ciência e fez parte do Comité Internacional de História das Ciências(convertido a Academia Internacional de história das Ciências em 1929).


Para sua grande decepção nunca teve uma posição académica, embora tenha estado ligada a vários grupos de investigação, em Paris. Sempre foi posta em posições não muito elevadas sendo que, esse estatuto, sem dúvida relacionado com a facto de ser mulher, contribuiu bastante para a sua baixa auto-imagem. Mesmo assim essa situação possibilitou-lhe ter independência económica e encontrar o reconhecimento e apoio em muitos estudiosos, nomeadamente André Lalande, em Paris (que organizou um prémio literário para ela em 1924), e George Sarton em Harvard, o fundador e editor de Isis, com quem ela trocava cartas. Metzger era uma pensadora independente cujos trabalhos por ela desenvolvidos tiveram um impacto muito considerável na história da ciência e na epistemologia.



As obras


La Genèse de la science des cristaux. Paris: Alcan, 1918

Les doutrinas chimiques en France du début du XVIIe à la fin du XVIIIe siècle.Paris: Presses Universitaires, 1923

Les Conceitos scientifiques. Paris: 1926

Newton, Stahl, Boerhaave et la doutrina chimique. Paris: Alcan, 1930

La chimie. Paris: Boccard, 1930;

La Philosophie de la matière chez Lavoisier. Paris: Hermann, 1935

Atração universelle et religião naturelle chez quelques commentateurs anglais de Newton. Paris: Hermann, 1938

La Science, l'appel de la religião et la Vontade humaine. Paris: Boccard, 1954;

La Méthode philosophique en Histoire des ciência, ed. por Gad Freudenthal. Paris: Fayard, 1987;

"Extraits de lettres, 1921-1944",por Gad Freudenthal, Études sur (Estudos sobre) Hélène Metzger. Leiden: Brill, 1990


Bibliografia

Gillispie, C. (1970). Dictionary of Scientific Biography. Charles Scribner's sons, New York. Vol. 1-16.

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