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Gil de Santarém

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São Frei Gil de Santarém, ou Gil Rodrigues de Valadares (N. Vouzela, Portugal1155 ou 1185; ob. Santarém, Portugal14 de Maio 1265). Teologia, Medicina. Foi um Frade Dominicano e Médico Português da Idade Média.

Vida

Filho de D. Maria Gil (Nobiliário de D.Pedro) ou D. Teresa Gil e de D. Rui (ou Rodrigo) Pais de Valadares, mordomo-mor do Rei e alcaide de Coimbra. Aqui realizou os primeiros estudos de Medicina e Filosofia, foi clérigo e tesoureiro na Sé Coimbra. Prosseguiu os estudos médicos em Paris, onde se doutorou em Teologia, provavelmente tornando-se também pregador. De regresso a Portugal, ensinou teologia em Santarém e tornou-se Provincial após a morte de Frei Soeiro Gomes. Morreu aureolado de fama e santidade. Foi canonizado pelo Papa Bento XIV que concedeu a sua festa à Ordem de S.Domingos e às dioceses de Lisboa e Viseu.

A Lenda

Reza a lenda que Frei Gil, a caminho de Paris, é desviado para Toledo pelo diabo que lhe propõe ensinar-lhe magia como contrapartida da entrega da sua alma, através de um juramento assinado com o próprio sangue. Frei Gil, após assinatura do juramento, permaneceu numa gruta durante sete anos, adquirindo perícia na arte de medicar, capaz de causar assombro aos mestres em Paris. Um dia, apareceu-lhe um cavaleiro que lhe intimou a mudar de vida, sob pena de o matar. Frei Gil, aterrado, arrependeu-se e converteu-se, rogando à Mãe de Deus que lhe valesse. Nisto, apareceu o demónio a devolver-lhe o juramento que anos antes assinara com o próprio sangue, e começou assim a sua vida como Homem de Deus.

Prática Médica

Após os estudos introdutórios de medicina, realizados em Portugal, Frei Gil aprofundou os seus conhecimentos médicos em Paris. A sua medicina reflecte as preocupações médicas da época, assim como as terapêuticas por ele instituídas são reveladoras do arsenal terapêutico ao seu dispor e do desenvolvimento da Farmácia, à época. Assim, encontram-se nas suas práticas médicas uma vertente galénica mais ou menos arabizada, cruzada com práticas mágico-religiosas e de superstições, frequentes no período medieval. Os produtos mais utilizados na terapêutica eram os de origem vegetal, nomeadamente drogas como o heléboro, a arruda, a celidónia e ainda as malva, losna, funcho, etc. No que diz respeito às drogas de origem animal, recomendava o uso do leite de cabra, o mel, o fel de cabra e o leite de mulher. Entre algumas prescrições encontram-se o leite de cabra com heléboro para a névoa dos olhos, o cozimento de rebentos de malvas em água para a lepra. Ao nível das práticas mágico-religiosas e supersticiosas, encontra-se o relato de Ferreira de Mira na sua História da medicina portuguesa: “Assim determina (Frei Gil) que para evitar o crescimento dos seios se lavem os mamilos com sangue da castração do porco, dizendo ao mesmo tempo: destrom, destrom, sinistron, sinistron (…) Aconselha rezas e benzeduras, de mistura com algumas plantas indígenas, e a sangria como remédio e como preventivo, cinco vezes por ano, boa para o lume dos olhos, para limpar a reima da cabeça, para combater a febre, os maus humores e a postema…”.

Bibliografia

  • Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, 9ª edição, Editorial Verbo
  • Pita, João Rui "História da Farmácia" 2ª edição, Minerva, Coimbra 2000

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