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Farmacopeia Lusitana

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Farmacopeia Lusitana

Em Portugal, até ao século XIX, a transmissão de conhecimentos farmacêuticos estava a cargo dos boticários, sendo este, transmitido directamente nas boticas. Tal facto, constituiu a princípio, um problema a nível de aprendizagem, visto que só no século XVII começaram a surgir livros escritos por boticários, que permitiram uma melhor transmissão de conhecimentos da área.

Origem

Em 1704, D. Caetano de Santo António, boticário no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, escreveu o primeiro formulário em língua portuguesa (Farmacopeia Lusitana), no qual vinham descritos métodos práticos de preparação de medicamentos, com todas as receitas mais usuais, e da qual se publicaram, posteriormente, mais três edições, no século XVIII.

Apesar do surgimento desta, e de outros formulários aos quais se atribuíam o nome de farmacopeias, não existia ainda, em Portugal, uma com carácter obrigatório ou oficial. Só no final do século, devido à influência da política pombalina, é que se verificou a intenção de se criar uma farmacopeia obrigatória, evitando, deste modo, o surgimento de um elevado número de formulários com carácter privado. Foi, pois, aquando da revisão dos Estatutos da Universidade de Coimbra, em 1772, por Marquês de Pombal, que se verificou esta intenção, tendo sido acordado que caberia à Congregação da Faculdade de Medicina a composição da primeira farmacopeia oficial do Reino. Esta teria um carácter obrigatório, servindo para instrução e inspecção dos boticários, e após a sua edição, qualquer outra de carácter nacional ou estrangeiro, ficaria proibida.

Em 1790, Francisco Tavares e Joaquim de Azevedo, foram nomeados pela Congregação, no sentido de se responsabilizarem pela elaboração da farmacopeia. Esta surgiu, em 1794, sendo atribuída a sua autoria ao médico e antigo professor da Matéria médica em Coimbra, Francisco Tavares, e denominava-se Farmacopeia geral para o Reino e Domínios de Portugal. Esta era composta por dois volumes: o primeiro denominado Elementos de farmácia, e o segundo, Medicamentos simples, preparados e compostos.

A 7 de Janeiro de 1794, surgiu o decreto de D. Maria I que oficializou esta farmacopeia, como sendo um guia prático de composição de fórmulas medicinais, com qualidades, especificações e quantidades dos medicamentos que iam orientar boticários. O seu uso passou, desta forma, a ser obrigatório por todos os estabelecimentos boticários e por médicos e cirurgiões, que não poderiam receitar nenhuma composição que não estivesse descrita na farmacopeia.

Com o avanço do conhecimento científico, foram surgindo, ao longo dos séculos, novas farmacopeias, mais actualizadas. Porém, esta, uma vez sendo a primeira oficial, tornou-se bastante importante na história, contribuindo, em larga escala, para a difusão dos fármacos oriundos das colónias do Império Português. A exploração colonial, passou, desta forma, a ter uma nova importância, uma vez que possibilitou a Portugal vislumbrar as colónias como grandes potenciais ao desenvolvimento da farmacologia, devido à sua flora altamente variada.

Bibliografia

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