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Retrato de Claude Bernard, fisiologista francês (1813-1878)

Claude Bernard, fisiologista francês (Saint-Julien, Ródano, 1813- Paris, 1878). O trabalho de Bernard constituiu a fundação da moderna fisiologia experimental. A sua carreira experimental é baseada em duas investigações: por um lado o estudo químico e fisiológico da digestão gástrica e por outro, a secção experimental dos nervos.

Vida

Bernard, Claude ( n. St-Julien, perto de Ville-franche, Beaujolais, França, 12 de Julho 1813; m. Paris, França, 10 Fevereiro 1878), fisiologista. Oriundo de uma família de vinicultores, Claude Bernard viveu em circunstâncias muito modestas. Ao longo da sua vida, Bernard permaneceu muito ligado à sua mãe ao contrário da relação distante que mantinha com o seu pai. O seu amor pelo campo levou-o a concentrar a sua vida em dois locais, as vinhas de Beaujolais e os laboratórios de Paris.

A sua educação, iniciada pelo padre da freguesia e depois em escolas religiosas de Villefranche e Thoissey, foi muito mais humanística que cientifica. Aos 19 anos, Bernard foi aprendiz de um boticário nos subúrbios de Lyon. Desta forma, ele pode observar os poucos conhecimentos da farmacoterapia daquele período. No entanto, o aprendiz de farmacêutico tomou rumo ao teatro e belas letras e não à ciência.

Em 1834, Bernard foi para Paris planeando seguir uma carreira na literatura. No entanto, um ilustre crítico da altura desencorajou-o e aconselhou-o a adquirir uma profissão de modo a ganhar a vida. No mesmo ano, com grande dificuldade, Bernard entrou na Faculdade de Medicina de Paris. Em 1839 passou nos exames para interno nos hospitais municipais de Paris.

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François Magendie (mestre de Bernard)

Trabalhou como interno na equipa de François Magendie, seu mestre, e foi com este que descobriu a sua real vocação: experimentação fisiológica. Desde 1841 até Dezembro de 1844, Bernard trabalhou com Magendie na preparação de experiências relacionadas com a fisiologia dos nervos e a fisiologia da digestão. Para continuar a sua própria investigação, Bernard instalou o seu próprio laboratório em Cour du Commerce de Saint-Andrés-des-Arts. Foi Magendie que aconselhou Bernard a utilizar dissecações de animais como meio principal de investigação médica e a duvidar de todas as teorias e doutrinas aceites.

Embora se tivesse graduado, a 7 de Dezembro de 1843, Bernard nunca exerceu medicina. Em 1844, Bernard não passa nos exames para um posto de professor na Faculdade de Medicina. Após ter tentado em vão organizar um curso em fisiologia experimental , decidiu desistir da investigação cientifica e tornar-se médico da sua terra natal. Em 1845 casou com Fanny Martin, filha de um físico parisiense. Em 1847, Bernard substitui Magendie no Collége de France. Em 1852, Magendie retira-se completamente e entregou a sua cadeira e o seu laboratório para Bernard.

As investigações e descobertas de Bernard fazem com que a sua fama ultrapasse as fronteiras de França e em jeito de honra em 1854, o governo cria para ele a cadeira de fisiologia geral na Faculdade de Ciências em Paris. A 26 de Junho do mesmo ano Bernard é eleito para a Academia das Ciências e, em 1855, após a morte de Magendie, torna-se professor de Medicina no Collège de France.

Desde 1854 a 1860 Bernard completou uma séria de investigações na área fisiológica. Durante um período de convalescência que durou de 1862 a 1863, Bernard escreveu o seu principal trabalho teórico-ético, “Introduction à l’étude de la médecine expérimentale”.

Durante um novo período de doença, de 1865 a 1867, Bernard voltou a sua atenção para a filosofia escrevendo anotações acerca de trabalhos de Tenneman e Comte. Estas notas revelaram uma atitude crítica relativamente ao positivismo.

Em todos os cursos que Bernard ensinou, no Museu de História Natural, este procurou demonstrar a unidade vital de todos os organismos. Em contraste com os naturalistas, Bernard estava apenas interessado nas manifestações vitais que não diferem de esécie para espécie. Encorajado pelo desenvolvimento da teoria celular e pela sua própria investigação acerca dos processos nutritivos, extendeu o trabalho à fisiologia das plantas.

As suas últimas experiências e investigações lidaram com a anestesia nos animais, influenciada com a aplicação nas plantas, desenvolvimento embrionário e fermentação.

Bernard morre em 1878 vítima de uma doença renal.

Investigações e Descobertas

Bernard fez as suas principais investigações muito cedo na sua carreira cientifica, no período entre a sua primeira publicação “Reserches anatomiques et physiologiques sur la corde du tympan” (1843) e a sua tese de doutoramento em ciência (1853). As descobertas da química e controlo nervoso da digestão gástrica (1843-1845) foram seguidas pelas primeiras experiências com o curare (bloqueador da contracção ao nível do impulso nervoso), pela descoberta do papel da bílis na digestão das proteínas, e pela investigação da inervação das cordas vocais e funções dos nervos cranianos (1844-1845).

Em 1846 fez as primeiras observações no mecanismo de intoxicação por monóxido de carbono, descobriu a diferença entre a urina dos herbívoros e a dos carnívoros, iniciou estudos na absorção de gorduras e as funções do pâncreas, e observou a acção inibitória do nervo vago no coração. Em Agosto de 1848 Bernard descobriu a presença de açúcar no sangue em condições de jejum e a presença fisiológica de açúcar no fígado, que leva à teoria revolucionária atribuindo uma função glicogénica ao fígado (Outubro de 1848).

Em Fevereiro de 1848 publicou um importante artigo sobre o papel do pâncreas na digestão e, no mesmo mês, observou pela primeira vez a presença de urina após traumatismo artificial de estruturas cerebrais artificiais. Em 1852 surgiu a descoberta dos nervos vasoconstritores e a descrição da síndrome, agora chamado, Horner-Bernard.

Bernard consolidou e completou as suas descobertas fisiológicas entre 1854 e 1860. Em 1855 descobriu glicogénio no fígado. Em 1857 isolou o glicogénio. Em 1858 descobriu os nervos vasodilatadores, e em 1859 fez experiências da função glicogénica na placenta e em tecidos fetais. Este período no trabalho de Bernard foi muito importante na criação de novos conceitos de modo a facilitar a generalização dos resultados da sua experimentação.

Bibliografia

  • Gillispie, C. (1970). Dictionary of Scientific Biography. Charles Scribner's sons, New York. Vol. 1-16
  • Wellcome Images

(Susana Almeida)

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