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Robin, Charles-Phillipe, (N. Jasseron, Ain, França, 4 de Junho de 1821; ob. Jasseron, 6 de Outubro de 1885). Biólogo e Histologista francês do século XIX.

Vida

Robin estudou num colégio interno, em Menestruel, próximo de Poncin (Ain), onde perdeu a visão de um olho durante as brincadeiras com os seus colegas. Aplicou então uma prótese de vidro, sendo que a visão monocular poderá ter desempenhado posteriormente alguma influência na sua dedicação à microscopia.

Depois de completar o liceu no Colégio Real de Lyon, Robin inscreveu-se em 1838 na Faculdade de Medicina de Paris. Esta escolha foi influenciado pela sua família, sendo que alguns familiares da sua mãe (Adelaide Tardy) eram médicos cirurgiões, enquanto a família do seu pai pertencia à abastada burguesia.

Entretanto ciências como a Anatomia e Biologia despertaram-lhe interesse, até mais do que a própria Medicina Clínica. Em 1845 Robin, ainda estudante, viajou com Hermann Lebert à Normandia e às Ilhas do Canal, com o objectivo de recolher algumas espécies para exposição no Museu Orfila, assim designado por ser o museu de anatomia que Matheo José Bonaventure Orfila (1787-1853) pretendeu criar em Paris.

Robin concluiu a sua formação em medicina em 31 de Agosto de 1846, apresentando uma tese acerca da Anatomia da virilha.

Em 1847 venceu o concurso “Agrégation” na área da História Natural com a tese Desfermentações e, de seguida, iniciou um curso privado de Anatomia Patológica, tendo criado um laboratório de anatomia comparativa. Em 1849 substituiu Achille Richard no ensino da disciplina de História Natural da Faculdade de Medicina de Paris.

Mais tarde, por intermédio de Pierre François Rayer, Robin conheceu Émile Littré que lhe apresentou Auguste Comte, cujas palestras sobre a filosofia positivista o cativou. Com o positivismo Robin encontrou a possibilidade de apresentar os seus estudos como uma doutrina única. Chevalier de Lamarck introduziu o termo “Biologia” em França, o qual foi popularizado por Comte e Littré. Foi contudo Robin o responsável pela aceitação final do conceito e pela sua posterior elaboração nos meios científicos franceses.

Com a eleição de Robin para a Academia das Ciências em 15 de Janeiro de 1866, as funções políticas, de ensino e administrativas começaram a tomar precedência sobre a investigação científica. Durante a Guerra Franco-Prussiana ocupou o cargo de director do corpo médico do exército e em 1873 foi nomeado director do laboratório de zoologia marinha em Concarneau, na Bretanha. Em 1875 foi eleito para o Senado, como deputado da região de Ain. Na política Robin fez parte do partido da esquerda, “livre-pensador”, fortemente empenhado na actividade anticlerical.


Embora as primeiras investigações de Robin contribuíssem para o desenvolvimento científico e apesar da utilidade da sua concepção geral de anatomia, a qual foi uma transição entre a histologia de Bichat e a biologia celular, é de salientar que no último período da sua vida Robin opõe-se à patologia celular de Virchow, aos métodos histológicos modernos e às descobertas microbiológicas de Pasteur. Daí que em 1873 a sua obra Anatomie et physiologie cellulaires acabou por ser abandonada mesmo pelos seus alunos. O seu ensino já não reflectia o pensamento científico contemporâneo.

Robin nunca casou, dedicando-se inteiramente ao seu trabalho. Foi um professor brilhante e determinado. Enquanto médico prestou assistência a muitos escritores franceses. Segundo P. Voivenel, Robin devia ser qualificado pela "eminência perda do naturalismo".

Faleceu em 6 de Outubro de 1885.

Obra

Na sequência da viagem à costa da Normandia e Ilhas do Canal em 1845, Robin, em colaboração com Lebert, publicou trabalhos sobre vários temas: Os sistemas linfático e venoso de animais marinhos, O mecanismo de reprodução da lula, A anatomia comparativa dos órgãos genitais, Os elementos estruturais do tecido fibroso e A morfologia de parasitas, animais e vegetais (1845-1846). Nestes trabalhos já manifestava agilidade no manuseamento do microscópio.

Em 1847, após a conclusão do curso de Medicina, defendeu duas teses no doutoramento em Ciências Naturais: Investigação zoológica dos Órgãos eléctricos do Rajidae (peixe cartilaginoso da família das raias); Investigação biológica de parasitas vegetais que se desenvolvem no Homem e em animais. Foi o primeiro a descrever o fungo “Oidium albicans” (Candida albicans) e a explicar que a infecção por “sapinhos” é causada por um fungo.

Em 1849, após a substituição de Achille Richard no ensino da disciplina de História Natural da Faculdade de Medicina de Paris, publicou vários temas, nomeadamente A histologia do sistema nervoso dos vertebrados e A estrutura microscópica dos tumores. Robin foi o líder da Sociedade de Biologia, dado que contribuiu para a sua criação, redigiu os seus estatutos e dirigiu as suas actividades iniciais (em 1848, em colaboração com Rayer, Claude Bernard e Brown-Séquard). Na primeira reunião deste grupo, Robin apresentou um livro de memórias intitulado Sur la direction que se sont poposé, en se réunissant, les membres fondateurs de la Société de Biologie pour répondre au titre qu’ils ont choisi. Esta doutrina da biologia positivista exerceu uma influência significativa na investigação na área das ciências fisiológicas, médicas e zoológicas em França.

Robin divulgou as suas próprias ideias acerca da biologia em dois livros, publicados em 1849 e em 1851, entitulados Du microscope e Tableau d'anatomie. A sua perspectiva inovadora de anatomia ultrapassava o fisiologista e anatomista Xavier Bichat (1771-1802), defendendo que cada elemento anatómico deveria ser objecto de estudo, quer morfológico, quer fisiológico, independente do tecido de que faz parte. Neste contexto, Robin afirmou que a vida não depende de uma estrutura rígida, mas de um "estado de organização", mais concretamente de um determinado estado molecular. A noção do blastoma era fundamental para a teoria celular de Schwann. Contudo, Robin não adoptou a teoria celular na sua nova fase, tal como foi formulada por Rudolf Virchow. Nunca aceitou o facto da célula constituir a unidade básica que entra na composição dos seres vivos. Defendia que, em vez disso, o organismo é constituído por humores.

Segundo Robin, a morfologia não é explicada através de elementos anatómicos fixos, mas através de uma organização molecular. Na sua opinião, as investigações microscópicas devem ser complementadas por análises químicas. Em colaboração com o químico F. Verdeil, Robin estudou os compostos químicos que constituem o organismo. Contudo o resultado do Traité de chimie anatomique et physiologique, normale et pathologique (1852-1853) negou esta teoria, salientando a importância da abordagem morfológica.

Na investigação histológica e bioquímica Robin apresentou importantes descobertas, incluindo a descrição dos osteoclastos na formação óssea (1851), o estudo das alterações da mucosa do útero durante a gravidez e novos factos sobre a estrutura microscópica dos gânglios e das células da neuroglia.

Robin auxiliou Littré`s na revisão do Dictionnaire de médicine de Nysten, que se tornou o código médico da doutrina positivista ". Robin criou uma cadeira de histologia em 1862 na Faculdade de Medicina de Paris. Em 1864 fundou, juntamente com Brown-Séquard, o Jornal de L`anatomie et de la physiologie normales et pathologiques de l'homme et des animaux.

Principais publicações

Du microscope

Tableau d'anatomie

Traité de chimie anatomique et physiologique, normale et pathologique

Dictionnaire de médecine

L`anatomie et de la physiologie normales et pathologiques de l'homme et des animaux

Anatomie et physiologie cellulaires

Bibliografia

Gillispie, C; Sons, Charles Scribner`s. (1970). Dictionary of Scientific Biography, New York. Vol.11.pp. 491-492

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