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Carlos França

França, Carlos (N.: Torres Vedras, Portugal, 1877; Ob.: Lisboa, Portugal,1926), Bacteriologia, parasitologia. Investigador português na área da medicina. Efectuou várias descobertas no campo de Bacteriologia mais precisamente acerca de Parasitologia.


Vida


Carlos França nasceu em Torres Vedras a 9 de Junho de 1877 e faleceu a 17 de Julho de 1926. Filho do médico militar Dr. Inácio França. Viveu e trabalhou em Colares (Portugal) mais precisamente na Quinta Mazziotti, tendo sido sepultado no cemitério de colares.


Obra


Carlos França dedicou-se à investigação científica ainda muito jovem. Foi um estudante de Medicina idealista e liberal tendo terminado o curso em 1898. Tornou-se num dos mais notáveis cientistas reconhecido pela sua grande obra ao nível da parasitologia animal e vegetal. Tendo efectuado cerca de 187 publicações científicas das quais resultam escritos acerca de neuro-histologia, de bacteriologia, de rabiologia, de epidemiologia e clínica, e de zoologia. Carlos França realizou parte dos seus estudos no Instituto Rocha Cabral. Realizou um trabalho de histologia sobre o método de Nissl no estudo da célula nervosa e publicou um artigo sobre o papel dos leucócitos na destruição da célula nervosa, com a colaboração do histologista Mark Athias. Relacionou-se com pessoas ilustres da área tendo sido colaborador de Luís da Câmara Pestana. Em 1899, surge a peste no Porto pelo que Carlos França juntamente com câmara Pestana e outros colaboradores viajam para o Porto para combater a doença. No local trabalhou arduamente no Hospital das Guelas de Pau. Acabou por contrair a doença mas sobreviveu devido a administração da vacina contra Peste preparada por Câmara Pestana com a sua colaboração. Juntamente com Resende escreveu o relatório de 1900 onde constava o trabalho clínico, epidemiológico e laboratorial realizado no Porto. A informação que obteve no decorrer desse trabalho serviu-lhe de base para o estudo das alterações dos centros nervosos na peste e mais tarde para a descriminação das lesões cutâneas nessa mesma doença que foram publicadas em revistas francesas e alemãs. Mais tarde realizou investigações sobre a raiva que nessa época se verificava com intensidade em todo o País. Tornou-se médico auxiliar do Instituto Câmara Pestana a pedido do próprio à Rainha D. Amélia pouco tempo antes da sua morte. Foi também nomeado chefe de serviço da raiva tendo-se dedicado ao estudo das alterações de sistema nervoso nos indivíduos mortos pela doença e à pesquisa de métodos laboratoriais que facilitassem o diagnóstico da doença em vida. Conhecedor de que a doença provinha dos animais e constituía a zoonose mais terrível, empreendeu um conjunto de estudos memoráveis que intitulou Pesquisas sobre a raiva na série animal, tendo investigado os murídeos, a raposa, o ouriço, o texugo, a doninha, o porco espinho e o lobo, e estabelecendo dados que mais tarde viriam a ser confirmados por pesquisadores de outros países. Foi também nomeado Director do Hospital de Arroios numa altura em que surge a meningite cerebroespinhal epidémica. Realizou estudos sobre a doença, iniciando para o tratamento da mesma as funções lombares e injecções de lisol com a colaboração com o Dr. Brandão de Vasconcelos, conseguindo salvar muitos doentes na região de Colares. Por sua iniciativa, neste hospital e com a colaboração de Aníbal Bettencourt no Instituto Bacteriológico, empreendeu um longo estudo clínico, epidémiológico, anatomo-patológico e bacteriológico que registou num relatório enviado ao Conselheiro-Enfermeiro-Mor dos Hospitais o que constituiu o primeiro artigo do primeiro número da publicação ainda hoje denominada Arquivos do Instituto Bacteriológico Câmara Pestana. Ao longo dos anos foi realizando pesquisas diversas até que, em 1910, a epidemia de cólera da ilha da Madeira mudou o curso da sua actividade científica. A pedido do Ministro do Interior, Carlos França viajou para a Madeira para apurar o diagnóstico e assumir a direcção da luta antiepidémica. Inicialmente recusou devido ao seu estado de saúde mas o sentido do dever foi mais forte tendo partido para a Madeira no vapor S. Miguel, já investido no cargo de Director dos Serviços Sanitários Insulares. Após a sua chegada procedeu aos estudos laboratoriais que afirmariam o diagnóstico de cólera pelo isolamento e culturas do vibrião, o seu agente. Simultaneamente, iniciou um conjunto de medidas de combate à doença, estabelecendo uma organização sanitária modelar que conduziu à extinção da epidemia Entretanto Carlos França iniciou, no Instituto Bacteriológico e na Escola Politécnica onde desempenhou o cargo de naturalista do Museu Bocage, a sua obra de parasitologista. Entre os mais importantes estudos efectuados por Carlos França salientam-se ainda estudos sobre multiplicação e cultura in vitro dos tripanossomas e outros protozoáriose e o estudo de plantas carnívoras. Mais tarde, foi nomeado por unanimidade professor da Faculdade de Medicina de Lisboa. De notar, ainda, que este ilustre cientista chefiou, em França, a Secção de Higiene e Bacteriologia durante a 1ª Grande Guerra.


Bibliografia


(1940),Congresso do Mundo Português,s.l.,vol.12º.

MIRA,M. FERREIRA DE,(1927),"Notice Sur L'oeuvre Scientifique de Carlos França", Lisboa.

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