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Avicena

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Ibn Sīnā (Afshana, 980 – Hamadan, 1037), conhecido no ocidente como Avicena ou Avicenna, distinguiu-se nas áreas da filosofia, ciência e medicina tendo o seu trabalho sido muito influente durante toda a segunda metade da Idade Média e ainda posteriormente, até ao séc XVII.

Avicena - selo publicado pelo Irão em 1954; fonte: Wellcome-Images.com


Vida

Nasceu na Ásia Central, em Afshana, perto de Bukhara (no actual Uzbequistão), como o nome de Abū ‘Alī al-Ḥusayn ibn ‘Abd Allāh ibn Sīnā Balkhi'.

Desde cedo, mostrou que dominava o conhecimento científico contemporâneo, tendo praticado medicina desde os 16 anos por várias regiões da Pérsia. A par disso, estava envolvido na área da política, tendo desempenhado alguns cargos a nível público e tendo chegado a ser nomeado vizir, não deixando, ainda assim, de se dedicar à sua profícua carreira científica.

As 3 correntes de pensamento que Avicena fez convergir e que influenciaram o seu percurso científico-filosófico foram: o Alcorão (a nível da teologia, cosmogonia, antropologia e escatologia); a ciência (geometria, astronomia grega, o movimento circular das esferas celestes, a hierarquia do cosmos e teoria dos quatro elementos); a filosofia, especialmente o Aristotelianismo, juntamente com algumas nuances da tradição Persa.

Morreu em 1037, em Hamadan, na Pérsia (actual Irão), daquilo que se pensa que tenha sido uma situação de cólica mal curada. No Irão, pela comemoração do milénio da nação, foi erguido um mausoléu sobre o seu túmulo.


Obra

São-lhe atribuídos cerca de 270 títulos em diversas áreas, incluindo uma autobiografia que viria a ser concluída por um discípulo seu.

No campo da filosofia, o seu maior trabalho é Al-Shifa, “ A Cura” [da ignorância], uma enciclopédia de quatro volumes: lógica, física, matemática e metafísica.

A nível da metafísica, Avicena tentou interligar os aspectos da ciência e da religião e assim explicar a formação do universo, bem como os aspectos do pecado, providência, profecias, milagres e maravilhas.

A sua concepção de física (estudo dos corpos naturais e do movimento) e cosmologia (tempo, espaço e infinito) baseava-se no conhecimento da época, ou seja, na ciência grega.

Com base nos princípios físicos que defendia e na sua visão da metafísica, Avicena elaborou uma extensa teoria da ciência enquanto sabedoria, o que o permitiu classificar o largo espectro de ciências conhecidas na altura. Numa primeira abordagem, a ciência estaria dividida em ciência prática e ciência especulativa. A ciência especulativa dividir-se-ia em física, matemática e metafísica, sendo a lógica considerada não uma ciência propriamente dita, mas sim um instrumento da mesma. A física, ou ciência natural, consistiria em oito ciências principais e sete subordinadas.

A medicina estaria englobada nas ciências naturais subordinadas, a par da astrologia e alquimia.

Para Avicena, a astrologia seria uma “ciência provável” que tenta, através do conhecimento da configuração das estrelas, distâncias entre elas e respectivas posições no zodíaco, prever o futuro dos Homens e das Nações. Sobre o tema, escreveu uma epístola refutando a credibilidade dos astrólogos.

Relativamente à alquímia, estudou os seus fundamentos filosóficos e científicos e chegou mesmo a pôr em prática algumas das suas experiências, tendo concluido que não era uma ciência válida, tal como documentou na sua epístola sobre o tema.

Para Avicena, a medicina seria a ciência que procura entender os princípios do corpo humano e a sua condição na saúde e na doença.

No âmbito desta ciência, Avicena escreveu a sua obra mais conhecida, al-Quanun (“Canon”), com cerca de um milhão de palavras. Foi um trabalho muito bem recebido pelos físicos da época, que o preferiam em detrimento dos de outras autoridades da medicina, incluindo os de Galeno. Apesar de ter recebido algumas criticas, esta obra era considerada completa e suficiente e confiava-se que não poderia ser melhorada pela adição de outras fontes. Esta opinião, aliada à provável falta de sentido crítico e iniciativa dos físicos da altura, terá levado à condição estática da medicina Arábica e Europeia que perdurou durante séculos (na Europa, a tradução em Latim do livro foi usada como manual nas universidades de Montpellier e Louvain até 1650).

Canon, por Avicena ; fonte: Wellcome-Images.com

Al-Quanun está dividido em cinco volumes:

I al-Kulliyyat, Generalidades - princípios gerais: os quatro elementos, os quatro humores, os temperamentos a eles associados, a anatomia dos chamados órgão simples/homogéneos, as forças física, natural e animal que afectariam os sentidos e locomoção; etiologia e sintomas; higiene, causas da saúde e da doença e inevitabilidade da morte; classificação e guia de métodos terapêuticos;

II Matéria Médica - Lista alfabética dos medicamentos, incluindo a descrição das suas qualidades, virtudes e modo de preservação;

III Doenças "da Cabeça aos Pés" – patologias relacionadas com os vários órgãos do corpo humano, desde o cérebro e olhos às articulações e unhas; anatomia dos chamados órgãos compostos/heterogéneos;

IV Doenças Não Específicas de Determinados Órgãos – princípios considerados essenciais ao diagnóstico e terapia de várias febres, estudos sobre abcessos, pústulas, ortopedia, feridas, venenos e criaturas venenosas, obesidade, e doenças de cabelo;

V Medicamentos Compostos


Principais Publicações

Traduzidas em Latim:

- al-Quanun (Canon)

- Urjuza fi’ al-tibb (Canticum de medicina seu liber de medicina in compendium reducta)

- Ahkam al-adwiya al-qalbiyya (De viribus cordis seu de medicamentis cordialis)

- Daf` al-madarr al-kulliya . . . (Liber liberationis seu removendis nocumentis, quae accedunt in regimine sanitatis)

- al-Fusul (Aphorismi)


Bibliografia

Gillispie, C. (1970). Dictionary of Scientific Biography. Charles Scribner's sons, New York

Kiple, K. F. (1993). The Cambridge World History of Human Disease. Cambridge University Press, Cambridge

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