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Aurélio Pereira da Silva Quintanilha

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Quintanilha, Aurélio Pereira da Silva(Angra do Heroísmo, 1892 – Lisboa, 1987) foi um consagrado cientista, pedagogo e militante anarquista português. O seu trabalho contribuiu em grande escala para o desenvolvimento da botânica em Portugal durante o século XX.

Vida

Aurélio Pereira da Silva Quintanilha Nasceu a 24 de Abril d 1892, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira dos Açores. Fez a instrução primária em Angra do Heroísmo e frequentou o liceu em Ponta Delgada. Em 1909 ruma a Lisboa para assentar praça no exército português, mas acabou por não concorrer à Escola do Exército pois não se achava com vocação. Faz os preparatórios de medicina em Coimbra, e em 1913 vai para a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa mas em 1915 muda para o curso de Ciências Histórico-Naturais da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde conclui a sua licenciatura, com distinção, em 1919.

Em 1919, por convite de Wittnich Carriso, assume o cargo de 1º assistente do grupo de botânica da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, ficando assim encarregue das aulas teóricas e práticas das disciplinas de botânica médica e morfologia e fisiologia dos vegetais. Fica também encarregue de desenvolver um centro de estudos de biologia experimental. Ainda em 1919 começa a frequentar a Escola Normal Superior de Coimbra, tendo sido aprovado no exame de estado para habilitação ao magistério liceal em 1921, inscreve-se de seguida no curso de habilitação para o magistério primário superior.

Em 1926 doutora-se em ciências histórico-naturais e assume o cargo de professor catedrático de Botânica na faculdade de ciências. Entre 1928 e 1931 faz um estágio de especialização na Alemanha, onde trabalha com Hans Kniep e Max Hartmann, e inicia-se no estudo da genética dos fungos. Em 1931 regressa a Coimbra trazendo consigo os conhecimentos adquiridos em Berlim, monta o seu laboratório e biblioteca, começa a preparar os seus colaboradores e retoma o ensino com a regência das disciplinas de botânica médica e morfologia dos vegetais. Em Maio de 1935 é forçado a reformar-se devido às suas visões políticas. Quintanilha é assim obrigado a sair de Portugal, onde não podia exercer actividade científica ou pedagógica, percorrendo vários centros científicos europeus.

Em 1941 regressa a Lisboa onde trabalha durante 2 anos na Estação Agronómica Nacional a título gracioso, mas é obrigado a afastar-se pela mesma razão que se tinha reformado. Em 1943 parte para África onde dirige os serviços de investigação e experimentação da Junta de Exportação do Algodão em Lourenço Marques. Ainda em 1943 é nomeado director do Centro de Investigação Científica Algodoeira (CICA) em Moçambique. A 24 de Abril de 1962 é novamente obrigado a reformar-se por ter atingido o limite de idade. No entanto o Prof. J. Veiga Simão, Reitor da Universidade de Lourenço Marques, ofereceu-lhe um lugar no Departamento de Botânica da Faculdade de Ciências.

Em 1974, após a revolução de Abril, Quintanilha solicita a sua reintegração na Universidade de Coimbra como professor catedrático. Deu a sua última aula no dia 4 de Novembro do mesmo ano. Morreu a 27 de Junho de 1987, estando sepultado no cemitério de Benfica.

Obra

Aurélio Quintanilha possui uma vasta obra no ramo das ciências naturais bem como no ramo da educação. No âmbito da pedagogia, apesar de possuir uma bibliografia reduzida, mostra grande espírito de abertura e iniciativa, estando inserido no movimento da Educação Nova em Portugal. O seu trabalho desenvolvia-se principalmente sobre cinco aspectos: a educação sexual dos jovens, a autonomia e intervenção política do professorado liceal, a inter-relação entre o ensino secundário e o superior, a necessidade da formação contínua dos docentes liceais, e, o reforço do papel social da Universidade no desenvolvimento do país. Destaca-se a dissertação “Educação de hoje – educação de amanha” com a qual concluiu o curso na Escola Normal Superior.

Mas é no ramo da Biologia que a obra de Quintanilha é mais vasta. Em 1936 apresenta “contribuição ao estudo dos Synchytrium” que é aprovada por unanimidade, conferindo-lhe o grau de doutor. No mesmo ano apresenta “O Problema das plantas carnívoras – Estudo citofisiológico da digestão no Drosophyllum lusitanicum Link” com a qual consegue o cargo de professor catedrático de Botânica. Durante o seu estágio em Berlim inicia as suas investigações notáveis sobre a sexualidade dos fungos, que o acompanharam até ao final de carreira e das quais viria a resultar “Le problème de la sexualité Chez les Champignons”, apresentado em 1935. No mesmo ano participa no V congresso Internacional de Botânica de Amesterdão, com a comunicação “Cytologie et génétique de la sexualité Chez les Champignons” com a qual recebeu o prémio Emil Christian Hansen. Em 1943 a Academia das Ciências de Lisboa atribui-lhe o prémio Artur Malheiros, pelo trabalho “Doze anos de citologia e genética dos Fungos”.

Em 1943 é nomeado director do Centro de Investigação Científica Algodoeira (CICA) em Moçambique. Realiza uma série de visitas e estágios a instalações científicas dedicadas à agricultura, em África e na América do Norte, tornando-se um dos maiores especialistas em algodão. Organiza um centro de investigações que, entre 1946 e 1961, produz cem trabalhos. A sua actividade permitiu desenvolver a cultura do algodão em Angola e Moçambique, resultando em grandes benefícios económicos para as colónias bem como para a Metrópole. Participou também na criação da Estação de Biologia marítima na ilha de Inhaca e reuniu no CICA um herbário notável, enviando muitas colecções de duplicados de herbário para o Herbário de Coimbra e para o Centro de Botânica da Junta de Investigação do Ultramar. Em 1947 a Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, concede-lhe o título de Doutor Honoris Causa.

Pertenceu a várias sociedades científicas, das quais se destacam: a Sociedade Broteriana, a Societé Botanique de France, a Société Mycologique de France, a Deutsche Botanische Gesellschaft, a Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, Sociedade Portuguesa de Biologia e Sociedade de Estudos de Moçambique.

Em tornou-se o 1º sócio honorário da Sociedade portuguesa de Genética. Em 1972, o Governo Português concedeu-lhe, o Grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada e, em 1987, a condecoração da Ordem da Liberdade. A 15 de Fevereiro de 1983 a Faculdade de Ciências de Lisboa concede-lhe o grau de Doutor Honoris Causa.

Foi um dos responsáveis pela continuação das publicações anuais do Boletim da Sociedade Broteriana. Quintanilha, juntamente com Wittnich Carriso, ofereceu-se como redactor, gestor e angariador de colaboradores, e deu-se início à 2.a Série do Boletim. O 1.º volume da 2.ª Série publicou-se, em 1922, onde se apelava aos professores de instrução primária, secundária e do ensino superior, para sensibilizarem os seus alunos para o estudo das plantas. Quintanilha permaneceu redactor de 1922 a 1936, publicando diversos trabalhos em vários volumes. O seu interesse pela Sociedade Broteriana manteve-se até ao fim da sua vida.

Entre 1921 e 1960, Quintanilha publicou 47 trabalhos científicos e colaborou com muitos outros. Em 15 de Fevereiro de 1983, mediante proposta do Presidente do Conselho Directivo do Museu, Laboratório e Jardim Botânico da Faculdade de Ciências de Lisboa, Prof. Fernando Catarino Mangas, foi concedido a Quintanilha o grau de Doutor Honoris Causa.

Principais publicações

  • Contribuição ao estudo dos Synchrytrium - "Boletim da Sociedade Broteriana", II série, 3. - Dissertação para doutoramento na Faculdade de Ciencias da Universidade de Coimbra. Coimbra, 1926.
  • Educação de hoje, educação de amanhã. Coimbra, 1921.
  • O problema algodoeiro português. Lourenço Marques, 1954.
  • O problema das plantas carnívoras : estudo citofisiológico da digestão no "Drosophyllum Lusitanicum" - Sep. do "Boletim da Sociedade Broteriana", IV, 2ª série. Coimbra, 1926.
  • La conduite sexuelle de quelques espèces d'agaricacées - Sep. de "Boletim da Sociedade Broteriana" 19 (2ª série). Coimbra, 1944.
  • Cytologie et génétique de la sexualité chez les hyménomycétes - Sep. de "Boletim da Sociedade Broteriana" 10 (2ª série). Coimbra, 1935.
  • La descendance des Copulations illégitimes chez les Hyménomycètes - Sep. de "Compt. Rend. Soc. de Biologie" CXVII. 1934.
  • Desenvolvimento do botão floral do algodoeiro em função do tempo - Sep. de: "Boletim da Sociedade Broteriana" 36 (2ª série). Alcobaça, 1962.
  • Etude genetique des phenomenes de nanisme chez les hymenomycetes - Sep. "Boletim da Sociedade Broteriana" 14 (2ª série). Coimbra, 1940.
  • Etude genetique du phenomene de buller - Sep. de "Boletim da Sociedade Broteriana" 13 (2ª série). Coimbra, 1939.
  • Evocando o passado - Sep. de "Boletim da Sociedade Broteriana" 53 (2ª série). Coimbra, 1980.
  • Homologias cromossómicas no género Gossypium - Sep. de "Boletim da Sociedade Broteriana" 40 (2ª série). Coimbra, 1966.
  • A investigação científica e o problema do fomento algodoeiro. Lisboa, 1955.
  • Michurinismo e mendelismo - Sep. de "Agros" 43. Lisboa, 1960.
  • Observations préliminaires concernant l'étude d'une série d'Hyménomycétes au point de vue de leur sexualité - Sep. de "Bull. de la Société Portugaise des Sciences Naturelles" 1 (12). Lisboa, 1943.
  • O problema algodoeiro português e a actividade do Centro de Investigação Científica Algodoeira - Sep. de "Boletim da Academia das Ciências de Lisboa" 38. Lisbo, 1966.
  • O problema da delimitação e origem das espécies do ponto de vista da biologia experimental - Sep. de "Boletim da Sociedade Broteriana" 17 (2ª série). Coimbra, 1943.
  • Le problème de la sexualité chez les champignons. Coimbra, 1933.
  • Quatro gerações de cientistas na história do Instituto Botânico de Coimbra - Sep. de "Anuário da Sociedade Broteriana" 41. Coimbra, 1975.
  • Sur la possibilité de résoudre des problèmes cytologiques par des méthodes génétiques - Sep. de "Comptes Rendus de l'Association des Anatomistes", 1933
  • Sur le pouvoir germinatif des spores de Coprinus I - Sep. de "Compt. Rend. Soc. de Biologie" CXV, 1934.
  • Viagem de estudo aos Estados Unidos e ao Canadá: problemas da cultura algodoeira - Memórias da Junta de Investigações do Ultramar. Segunda Série; 14. Lisboa, 1959

Bibliografia

Nóvoa, António. Dicionário de educadores portugueses. Porto: Asa, 2003

Guimarães, Jorge. "Quintanilha, Aurélio Pereira da Silva, 1892-1987" <http://bibdigital.bot.uc.pt/index.php?menu=8&language=pt&tabela=geral>

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